O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 01/10/2017
Com a integração do mundo a partir do processo de globalização, o intercâmbio social e cultural deu-se de forma mais intensa entre as diversas regiões do globo, configurando, na contemporaneidade, a difusão de uma ideologia baseada na padronização de corpos sob a ótica da ditadura da beleza. A propagação do modelo ideal cultuado pela indústria corporal midiática, passa a incentivar, desse modo, a exacerbação de manifestações na busca por atingir tal objetivo, podendo levar a transtornos físicos como anorexia e bulimia. No Brasil, os altos índices de procura pela cirurgia plástica, colocam o país no topo do ranking mundial, destacando assim, a necessidade de medidas que reduzam esse impacto na saúde humana e, consequentemente, na manutenção dos valores éticos.
A Sociedade do Espetáculo, do escritor e filósofo francês Guy Debord, destaca o condicionamento do indivíduo a apresentar uma imagem agradável frente a sociedade como forma de inclusão social. Ademais, dada a intensidade de circulação de revistas e sites de moda, baseadas quase sempre no esteriótipo da magreza extrema, cada vez mais pessoas são influenciadas, tendendo a optar por meios mais práticos de obter tal estrutura corporal, a exemplo da ingestão de medicamentos para perda de peso que levam a transtornos como a anorexia, que, segundo retratado pela Folha de São Paulo, atinge cerca de 20% dos adolescentes brasileiros por volta dos 15 anos. Além disso, a prática desenfreada de exercícios físicos, com um público cada vez mais ávido nas academias, pode levar a riscos de saúde, podendo atingir determinadas áreas como o sistema cardiovascular.
Seguido pelos Estados Unidos, o Brasil é responsável por aproximadamente 1 milhão de intervenções cirúrgicas a cada ano, como publicado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética no final de 2015. No entanto, sendo grande parte dessas voltadas a esculturação do corpo perfeito, exaltado pela mídia em diversas propagandas, há uma quebra de valores éticos, onde a liberdade do indivíduo passa a ser baseada em torno da aceitação dos valores impostos e, quando distantes desses, tornam-se suscetíveis à discriminação e preconceito.
Portanto, sendo a “corpolatria” prejudicial, em muitos aspectos, para a saúde humana, debates voltados para as consequências do estabelecimento de padrões de beleza, promovidos pelo Ministério da Educação em parceria com ONG’s, através da introdução de palestras e oficinas, além de acompanhamento psicológico em escolas e universidades, é de importância para a conscientização dos jovens nessa esfera. A fiscalização e o controle da venda de medicamentos pela vigilância sanitária, com determinações da Organização Mundial de Saúde por meio da aplicação de multas aos estabelecimentos que comerciarem sem receitas médicas, seria eficaz na contenção da problemática. dassssssssssssssss problemaivamndd prmsmffprpo