O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 29/09/2017
Ao longo da história, a preocupação do homem com a estética corporal fez-se presente nas mais peculiares civilizações humanas. Durante o Renascimento europeu era comum a valorização do belo nas obras plásticas, como na obra “O Nascimento de Vênus” do artista Sandro Botticcelli. No entanto, atualmente, é flagrante uma tendência mundial, e portanto brasileira, de buscar obsessivamente o “corpo perfeito”- idealizado pela mídia publicitária e por determinados setores industriais- responsável por acarretar prejuízos à saúde, alguns até mesmo irreversíveis. Dessa forma, é imperativo que o poder público coatue com a sociedade a fim de reduzir tal prática e suas consequências negativas.
A mídia publicitária e as indústrias de alimentos, de suplementos e de beleza, juntas, são responsáveis pela criação de um padrão ideal de corpo a ser buscado, tendo em vista apenas um objetivo: o lucro. Prova disso são as frequentes propagandas e anúncios de alimentos “light”, de hiperproteicos (Um tipo de suplemento) e de cosméticos, que apropriam-se de diversificadas estratégias persuasivas, com o intuito de convencer as pessoas a adiquiri-los. Isso faz com que indivíduos, por iniciativa própria, adotem dietas nutricionalmente desbalanceadas associadas à prática demasiada de atividades físicas, desequilíbrios que ameaçam a saúde daqueles que os adotam. Logo, identifica-se a priorização de interesses mercadológicos em detrimento da integridade da vida humana.
Em segundo plano, é valido destacar a que a pressões individual e social de incentivo a busca pelo corpo, considerado, padrão acaba acarretando uma percepção distorcida da imagem corporal. Nesse contexto, magros passam a se ver gordos e indivíduos com musculaturas desenvolvidas se veem atrofiados, gerando uma constante insatisfação com o corpo que possui. Isso induz essas pessoas a buscar o contrário do que precisam, isto é, os magros anseiam emagrecer ainda mais e os musculosos tendem a intensificar a hipertrofia. Dessa maneira, desenvolvem transtornos psicoalimentares como a bulimia, a anorexia e a vigorexia, patologias que quando intensificadas podem ocasionar óbitos.
É seguro afirmar, pois, que o culto à padronização corporal no Brasil, incentivado pelo poder persuasivo da mídia, compromete a saúde dos indivíduos que buscam o estereótipo corporal preconizado. Afim de desconstruir tal realidade, faz-se imprescindível que o CONAR, órgão regulamentador da publicidade no país, determine que as propagandas em questão alertem o público alvo a respeito da importância das orientações dos profissionais de saúde no sentido de aprimorar, de forma segura, o bem-estar individual. Ademas, cabe ao Ministério da Saúde organizar equipes multidisciplinares que conte com nutricionistas, nutrólogos, psicólogos e psiquiatras com o intuito de tratar os acometidos por transtornos psicoalimentares.