O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/09/2017
Na conjuntura social atual, nota-se que a busca, incessante, pelo corpo perfeito faz com que muitas pessoas se tornem vítimas de complicações associadas ao perigo de cirurgias desnecessárias e produtos químicos inadvertidos. Um dos maiores ativistas do século XX, Mahatma Gandhi, escreveu que “a saúde é o resultado não só de nossos atos como também de nossos pensamentos”. Essa frase está relacionada, intrinsecamente, com a problemática da objetificação do corpo perfeito, pois é evidente que a necessidade de um corpo com os padrões estéticos atuais está tão arraigada no nosso cotidiano que não há reflexão sobre isso. Tal ralidade fez com que o corpo se tornasse um objeto de consumo e ponderador das relações sociais, além de diminuir a qualidade de vida do homem.
De acordo com pesquisas feitas pela CNM (Conselho nacional de medicina), em 2014, o número de jovens que fizeram cirurgias estéticas quase triplicou nos últimos 10 anos. Diante dessa realidade de obsessão pela perfeição, é indubitável que o corpo vem se tornando um objeto a ser padronizado e, por consequência, fixa-se como um objeto mediador, isto é, na vida contemporânea, várias pessoas, em alguns casos, têm sua ética e moral julgadas, simplesmente, por não serem adequadas ao aspecto estético atual.
Em segunda instância, de acordo com um levantamento, feito pela Folha de São Paulo, em 2016, foram mais de vinte celebridades que tiveram alguma complicação médica devido ao uso de produtos químicos e cirurgias desnecessárias. Nessa conjuntura, é inquestionável, que a população atual, mesmo sabendo dos riscos desses procedimentos à saúde, acaba sendo cegada pela imposição de um corpo musculoso e magro. Essa infeliz padronização causa doenças graves, como o descontrole cardíaco e a anemia.
Em virtude do que foi mencionado, fica claro que, para solucionar a problemática da objetificação do corpo perfeito, é preciso promover uma parceria entre o Ministério da Saúde e a família com intuito de desenraizar a necessidade da busca pelo corpo ideal na sociedade atual. Portanto, cabe ao primeiro promover uma maior fiscalização dos centros médicos estéticos, visando à diminuição da comercialização de produtos químicos e de cirurgias clandestinas. Já à segunda, junto à mídia engajada, cabe promover uma maior aceitação da diversidade estética, por meio da formulação de teatros, novelas e filmes, afim de, quebrar o pré-julgamento do corpo padronizado. Afinal, Gandhi acreditava que a saúde era construída através da reflexões e transformações.