O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 28/09/2017

Na sociedade brasileira há uma evidente preocupação com o corpo perfeito. Tal processo de idealização corporal iniciou-se basicamente pelo impulso de massificação das mídias a partir dos anos 1980. Não por acaso que foi nesse período que surgiram as duas maiores revistas brasileiras voltadas para o tema: “Boa Forma” (1984) e “Corpo a Corpo” (1987). Neste sentido, é observado que a ditadura da beleza é resultado de um processo histórico-cultural e que a mídia agrava a questão.

Primeiramente, é preciso ressaltar o papel da indústria cultural nesse contexto. Há algumas décadas, já era possível ver em campanhas publicitárias, novelas e filmes a crescente padronização de estética ideal, principalmente em mulheres. Hoje, esse padrão torna-se ainda mais perceptível, atingindo especialmente adolescentes, que estão em fase de descoberta com o corpo e sentem-se fora do ideal proposto pela sociedade.

Somado a isso, a ascensão das redes sociais intensifica essa questão. Com a expansão de selfies - fotografias da própria pessoa para serem colocadas em suas redes sociais - acentuou-se ainda mais a vaidade. Segundo dados da American Academy of Facial Plastic, a procura por rinoplastias cresceu 10% no prazo de um ano, e 6% nas cirurgias de pálpebras. A curta distância na hora de registrar a imagem no celular resulta em fotos próximas, que definem os traços, o que nem sempre agrada as pessoas. Desse modo, medidas fazem-se necessárias para corrigir a problemática.

Diante dos argumentos supracitados, é dever do Estado em parceria com a mídia promover a conscientização sobre a pluralidade estética, através de novelas, redes sociais e rádios com o objetivo de aceitação corporal individual. Some-se isso a campanhas nas escolas sobre o conceito de beleza, através de palestras, teatros e aulas temáticas com profissionais. Assim, futuramente, revistas como “Boa Forma” e “Corpo a Corpo” possam valorizar e respeitar as diferenças corporais da nossa nação.