O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 29/09/2017

A alegoria de Narciso foi criada na Grécia antiga no intuito de fazer uma crítica social aos desequilíbrios gerados pela busca excessiva da perfeição física. No entanto, apesar de passados tantos séculos, tal problema permanece recorrente na sociedade atual e hoje é catalizado pela indústria cultura e pela economia capitalista que buscam impor uma padronização corporal no Brasil e no mundo.

Para Paulo Freira, onde não há senso crítico, adquirido por uma educação libertadora, consequentemente existe o desejo de competição e opressão.Isso é, numa sociedade carente de valores facilmente se introduzem modelos inflexíveis como o da busca pela perfeição física que existe no Brasil. Assim, tal passividade às imposições capitalistas tem gerado prejuízos nessa sociedade, visto que o culto a padronização cultural estimula o preconceito e até mesmo fobias como o racismo e a aversão a pessoas consideradas acima do peso; assim como se observou no discurso do propietário da famosa marca Abercrombie que atribuiu o sucesso da sua marca ao fato de não produzir roupas em tamanhos grandes e assim não ter a imagem de suas coleções atrelada a “pessoas gordas e feias”.

Além disso a busca pela padronização corporal no Brasil atinge parte dessa sociedade de maneira “biopsíquicosocial”, visto que, num país que impõe a perfeição física,as características corporais determinam a maneira com que os indivíduos se veem e se relacionam, fato que os atinge psicologicamente e pode acarretar problemas de saúde tais como a anorexia, bulimia, vigorexia etc, que já existem em grande número na sociedade brasileira. Assim como mostrou a reportagem do programa “Fantástico” que expôs garotas ingerindo algodão para saciar a fome sem engordar e fazendo “competições de vômito” em sites, como se a aproximação ao padrão corporal imposto fosse uma espécie de troféu.

Dessa maneira, na busca por tornar a sociedade brasileira menos suscetível aos padrões estabelecidos pela indústria capitalista, as escolas devem incentivar o senso crítico por meio da inserção de ideias desenvolvidas por autores como Paulo Freire, Foucault, Cortella etc nas suas atividades curriculares. Ademais, o Ministério Publico deve estimular denúncias e punir adequadamente situações de apologia ao preconceito por características físicas. Por fim, o Ministério da saúde deve oferecer apoio multidisciplinar para os indivíduos que apresentarem transtornos gerados pela busca da padronização estética que fere muitos brasileiros de maneira “biopsíquicosocial”.