O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 26/09/2017

“Todos julgam a aparência, ninguém segundo a essência”. Assim como disse, em sua época, o filósofo alemão Schiller e trazendo sua máxima para o contexto de corpolatria, observa-se que tal pensamento está relacionado à valorização da sociedade em relação à busca pelo corpo perfeito. Esse fenômeno, muito influenciado pela mídia, pode gerar, além de riscos à saúde, uma segregação social, sendo necessário, assim, repensar os limites da vaidade. A partir desse contexto, cabe analisar as causas dessa busca pela perfeição, bem como seus reflexos na vida das pessoas.

Em uma primeira perspectiva, é válido observar que muitos indivíduos são influenciados pela mídia a seguirem o padrão de beleza estabelecido. Tal fato pode ser perigoso, já que, pelos meios de comunicação, é visto que para atingir o perfeito qualquer sacrifício é válido, o que leva as pessoas a realizarem intervenções desnecessárias que põem em risco a saúde, principalmente os jovens, que são mais influenciáveis. Segundo Adorno e Horkheimer, quanto mais forte os estereótipos, mais dificilmente as pessoas mudarão de opinião sobre o assunto. Assim, é preciso acabar, o quanto antes, com a idéia do corpo perfeito.

Sob outra perspectiva, nota-se que a exaltação de certos padrões é uma forma de segregação social. Tal fato tem como base que para alcançar a boa forma, é necessário investir grande tempo e dinheiro, porém, nem todos possuem recursos suficientes para isso. De acordo com os preceitos da autora Inês Senna Shaw, o belo não pode ser dissociado do poder econômico que os indivíduos ocupam na esfera pública. Desse modo, a estética corporal serve como um divisor social, excluindo os que não estão de acordo com os estereótipos e prejudicando a interação social dos divergentes desde a procura por emprego até aos relacionamentos amorosos.

Dessa forma, é válido repensar os limites da vaidade. Assim, é necessária uma atuação conjunta entre as instituições capazes de influenciar nos comportamentos dos jovens, tais como família, escola e imprensa, a fim de influenciá-los a terem sensatez em relação aos limites entre a saúde e o desenvolvimento da corpolatria. Tal atuação pode ser feita a partir de freqüentes debates sobre o tema, palestras ou campanhas de conscientização em mídias de amplo alcance, mostrando que a saúde deve ser vista em primeiro lugar, ao invés da obsessão pelo físico.