O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/09/2017
A idealização de um corpo perfeito não é algo recente na humanidade, está presente desde a Grécia Antiga, na qual a busca por um físico impecável estava associada ao modo de vida do cidadão, que exibia através do seu corpo virtudes como coragem, força e inteligência. No entanto, com o advento do capitalismo, e, consequentemente, da indústria da beleza, a padronização corporal passou a ter outra significação, haja vista a preponderância da estética. Nesse sentido, a mídia e as redes sociais, com seu poder de difusão, têm contribuído na manutenção do culto ao padrão corporal, agravando a problemática brasileira de doenças psicossomáticas devido à frustração de estar aquém do idealizado. Vale ressaltar que, propagandas de televisão, além das redes sociais, propagam a todo instante pessoas com corpos e modos de vida impecáveis, mostrando o quanto são felizes e bem colocados socialmente por se inserirem aos padrões estéticos. Desse modo, é crescente o número de brasileiros que recorrem a procedimentos estéticos, além de dietas severas sem acompanhamento médico, na tentativa de se igualarem ao que é propagado como “esteticamente aceitável” pela mídia. Isso fica evidente ao observar que, em meio à crise financeira estabelecida no Brasil nos anos de 2015 a 2017, o mercado da estética prevaleceu o seu crescimento, contrariando a lógica da recessão econômica instalada.
Ademais, a realidade do brasileiro diverge do que é difundido diariamente pelas propagandas, tendo em vista que, as horas gastas no trabalho, juntamente com a faixa salarial recebida, não comportam as horas e o dinheiro gastos na academia, em consultórios médicos e em clínicas de estética. Assim, muitos recorrem à procedimentos cirúrgicos, dando ao Brasil o lugar de segundo país com mais intervenções cirúrgicas estéticas no mundo, perdendo apenas para os EUA. Entretanto, aos que não conseguem alcançar o padrão corporal desejado, restam frustrações e sentimento de exclusão social, levando a doenças psicossomáticas como anorexia, bulimia e depressão, todas associadas à idealização da imagem corporal.
Fica claro, portanto, que o culto à padronização corporal é uma das grandes questões sociais brasileira e que necessita de soluções. Uma forma eficaz é a manutenção do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, com a fiscalização das propagandas, visando a diminuição do culto ao padrão de corpo imposto pela mídia. Outrossim, a sociedade, como usuária das redes sociais, possui papel fundamental ao não associar, exclusivamente, a ascensão social a um corpo dentro dos padrões impostos, respeitando a individualidade de cada pessoa, além de legitimar a pluralidade corporal existe no Brasil.