O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 24/09/2017
A ideia de valorizar o corpo como forma de ter uma vida saudável não é recente. De fato, desde os gregos se observa uma valorização do corpo. A frase grega “Mens sana in corpore sano” só confirma isso. Mesmo Aristóteles, um dos maiores representantes da cultura grega, em seu Liceu, afirmava as disciplinas de ginástica e lógica/filosofia, como forma de formar cidadãos saudáveis. Contudo, a padronização estética e a lógica de consumo da sociedade contemporânea transformaram a ideia de um corpo saudável em uma obsessão sem limites.
Diariamente, observam-se cirurgias serem feitas sem qualquer necessidade médica, apenas para aperfeiçoar o corpo, Da mesma forma pessoas passam horas intermináveis em academias, muitas vezes utilizando-se de anabolizantes ou drogas emagrecedoras, como as anfetaminas, apenas para manter um corpo saudável. Longe de procurar a saúde, a maioria coloca em risco sua saúde e, em alguns casos a própria vida, para ter uma aprovação da sociedade. Ter um corpo mais bonito, passa a ganhar status social de pessoa mais feliz, mais capaz. Não obstante todo o mal que esse comportamento autodestrutivo causa as pessoas, ele é incentivado por academias que aumentam seus alunos, além de laboratórios e farmácias que vendem remédios sem qualquer controle.
Mesmo a mídia reforça esse comportamento, ao mostrarem seus filmes e novelas um mundo de pessoas bem sucedidas, profissional e sentimentalmente, todas com corpos perfeitos. Ao reverso, pessoas que não atendem a esta expectativa de um corpo perfeito são fracassadas, solitárias,. Tudo, enfim, que deve ser evitado a qualquer custo. Neste contexto de padronização do corpo, outro problema surge: a segregação das pessoas que não se encaixam no perfil.. Há, desta feita, uma nítida inversão de valores, onde a saúde, que permeia o discurso, é deixada de lado e, comportamentos como transtornos alimentares, dentre as quais destaca-se a bulimia, crescem sem parar, mormente entre crianças e adolescentes. Afinal, todos querem estar entre os bem sucedidos, custe o que custar.
Neste sentido, medidas devem ser propostas para enfrentar o problema. O Conselho de Medicina pode fiscalizar a atuação de médicos, coibindo cirurgias e deixando de prescrever medicamentos, sem necessidade clínica. Já o Conselho de Farmácia, por sua vez, pode fiscalizar e punir farmácias que vendem medicamentos como hormônios e anfetaminas sem qualquer critério. O Ministério da Saúde, por seu turno deve pode criar uma regulamentação para o funcionamento de academias de ginástica, que fiscalize a venda de medicamentos em suas dependências, a realização periódica de exames por seus associados, garantindo que a prática de atividades esportivas seja uma forma de obter uma vida mais saudável, e não uma doença, uma obsessão que infelizmente, só cresce atualmente.