O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/09/2017

A sociedade como agente e vítima de sua própria imposição

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Essa frase pertence ao poeta Vinicius de Moraes e sintetiza o pensamento hegemônico vigente na sociedade contemporânea em que a perfeição é o primeiro parâmetro a ser seguido. Diante dessa percepção, faz-se necessário, portanto, questionar os maléficos dessa incessante busca pelo corpo ideal e o quanto afeta diferentes esferas sociais.

Em um primeiro plano, as mulheres são as que mais sofrem pressão pelo meio social em atingir o ideal corpóreo. No decorrer dos anos, elas foram muito objetificadas e padronizadas em diferentes contextos sociais, como aconteceu em " America Way of Life". Dessa forma, os índices de anorexia e bulimia são mais ocorrentes nesse gênero. Ressalta-se que não apenas distúrbios alimentares acontecem, como também, problemas devido a métodos perigosos, como a aplicação de hidrogel que deixou a modelo Andressa Urach em coma.

Convém lembrar também, que além do grupo feminino sofrer com a imposição, a classe mais baixa se sente excluída por não conseguir se inserir nesse padrão. Desse modo, o pensamento prevalecente em uma sociedade é comumente imposto pela classe dominante, conforme o sociólogo Karl Marx afirmava.

Torna-se evidente, portanto que medidas devem ser feitas para solucionar esse impasse. Logo, o Ministério da Educação aliado a Ongs, deve implementar nas escolas públicas e privadas palestras sobre o culto desenfreado pelo belo e os limites entre o saudável e o maléfico. Urge, também, que a mídia através de seu papel engajador divulgue por meios onlines e televisivos, a diversidade de diferentes biótipos e a beleza que consiste nisso. Dessa maneira, os brasileiros se conscientizarão em respeitar o próprio corpo sem causar consequências a si próprio e de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, eles deixarão de ser o lobo de si mesmos.