O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 01/11/2017
Os padrões estéticos da Antiguidade, mantidos pela sociedade da época, baseavam-se na ideia de que gordura era sinônimo de fartura, riqueza e portanto, beleza. Pessoas atualmente consideradas “acima do peso”, eram cobiçadas pela população. Entretanto, ainda que os esteriótipos contemporâneos sejam completamente diferentes dos antigos, a idealização por um “corpo perfeito” ainda perpetua negativamente na civilização brasileira, contribuindo para as mudanças estéticas o surgimento de doenças físicas e mentais.
Nesse contexto, o sociólogo Zigmunt Bauman defende na obra “Modernidade Líquida”, que com o passar dos anos, as relações sociais se tornaram frágeis e voláteis. Dessa forma, analisa-se que instabilidade das conexões faz com que as pessoas sejam tratadas como mercadorias. É indubitável que a manipulação da mídia por meio da publicidade, acarreta a exclusão social daqueles que não se enquadram nos esteriótipos, podendo causar a automutilação, a depressão, anorexia, bulimia, entre outros transtornos psíquicos.
Outrossim, percebe-se o surgimento e aperfeiçoamento da cirurgia plástica após a Primeira Guerra Mundial, devido à necessidade da reparação dos rostos e corpos de pessoas mutiladas pela guerra. No entanto, atualmente as plásticas se tornaram apenas uma resposta aos padrões de beleza, sendo realizadas muitas vezes desnecessariamente. Nesse âmbito, a música “Pretty Hurts” da cantora Beyoncé, afirma que “a beleza dói” e faz críticas retratando que a perfeição é a doença da nação, e que na verdade são as almas que precisam de cirurgia, propondo a premência de uma mudança de mentalidade da população.
Portanto, torna-se imperativa a ação da mídia para a amenização dos esteriótipos, por meio de propagandas que exaltem e enalteçam as diferenças estéticas dos brasileiros, e que sejam acessíveis à toda população, visando a mudança de mentalidade sugerida por Beyoncé. É indispensável também, o apoio das escolas através de palestras, e da família pelo diálogo, incentivando a autoconfiança e a autoaceitação, para que seja possível contrariar a realidade da “Modernidade Líquida” prevista por Bauman.