O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/09/2017

A arte pela arte

Os autores parnasianos buscavam em suas obras a plenitude formal, valorizando a poesia pela sua beleza, e desconsiderando seu conteúdo. Assim como a palavra tinha que está dentro desse padrão, hoje, de acordo com a cultura ocidental, é o corpo físico que tem que enquadrar-se a tal perfeição. Dessa forma, observa-se que a liberdade estética reflete um cenário desafiador, seja a partir dos ideais midiáticos, seja pelo fator social.

A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve-se a questões apelativas. Segundo os filósofos Adorno e Horkheimer, a indústria cultural é responsável por fazer dos indivíduos objetos padronizados. Sob tal ótica, é inquestionável que os meios de comunicação guiam o espectador ao consumo de produtos que o torne igual aos outros, haja visto a ampla aceitação, por parte da população, a itens da moda. À vista disso, é interessante ressaltar que, a intensa publicidade sobre o mito da fisionomia perfeita faz com que o cidadão não meça esforços, nem consequências, para consegui-la. Desse modo, a esfera publicitária da comunidade impõem um molde a ser seguido.

Além disso, vale ressaltar que essa situação é corroborada por fatores socioculturais. Em um contexto no qual a sociedade brasileira aplaude um corpo extremamente magro e repudia o que está em desacordo com ele, o preconceito torna-se imperante. Com esse pensamento e as intensas influências, o cidadão deixa de lado o bom funcionamento da sua estrutura física para preservar a boa aparência. A partir disso, doenças como anorexia e bulimia, as quais são utilizadas como método para conseguir atingir tal padrão, tornam-se cada vez mais frequentes entre os jovens. Dentro dessa lógica, a comunidade exalta a estética e põe em xeque a saúde das pessoas.

Depreende-se, portanto, que imposições midiáticas potencializam convicções populacionais. Torna-se importante que a mídia, através de intervenções lúdicas, busque modificar seus valores, transmitindo e propagando a diversidade corporal, e o respeito a essas diferenças. Paralelamente, as instituições de ensino, em parceria com as ONGs, podem elucidar e desmistificar receios populacionais por intermédio de pesquisas, projetos, trabalhos, debates e campanhas publicitárias esclarecedoras. Com essas medidas, talvez, a “beleza pela beleza” deixe de ser tão valorizada.