O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 21/09/2017

Qual menina não sonhou em ter uma boneca Barbie? Muitas meninas, durante a infância, idealizavam ser igual à boneca, entretanto, algumas levaram isso a sério na juventude e gastam milhares de reais e colocam suas vidas em risco pela busca da perfeição de uma boneca. Infelizmente, obsessões como essa acontece por todo o Brasil e mundo, em que pessoas buscam corpos e rostos perfeitos e abrem mão da saúde física e psicológica. É notável a participação que a mídia tem ao induzir à idealização de um “corpo perfeito”. Não obstante, há pessoas que por não terem condições para pagar pelos procedimentos colocam suas vidas em risco e colaboram para o crescimento da ilegalidade. Contudo, são questões que aumentam e necessitam da atenção do Governo e da população.

Em primeiro lugar, nota-se que grande parcela da culpa provém da mídia que, através dos diversos veículos de comunicação, adoraram, cultivam e disseminam padrões a serem seguidos e alcançados, exibem em comerciais, revistas, desfiles e internet o paradigma de que, corpo bonito é aquele magro e bem definido, seguido dos padrões de rosto que vai desde um nariz ideal a um cabelo ideal. Ademais, observa-se que se tornou uma doença compulsória e, lamentavelmente, atinge o indivíduo desde a infância, onde, crianças que fogem do ideal, como aquelas com sobrepeso ou cabelo afro são vítimas de bullying. Tais questões se intensificam devido à falta de fiscalização e apoio psicológico e dos pais.

Em segundo lugar, observa-se que durante a Segunda Guerra Mundial muitos soldados foram gravemente mutilados, tal circunstância foi crucial para o desenvolvimento da cirurgia plástica. Com o passar dos anos a cirurgia plástica sofre aprimoramentos, o que atrai e induz às transformações. Entretanto, muitas pessoas não conseguem pagar pelas intervenções cirúrgicas e acabam se submetendo a procedimentos caseiros e até mesmo à clínicas ilegais, sem responsáveis e insalubres. Logo, várias pessoas acabam contraindo graves infecções e muitas delas chegam ao óbito.

Torna-se evidente, portanto, que o combate ao paradigma é necessário. O Governo deve investir em uma pesada fiscalização da mídia impedindo a padronização, logo, a fim de que ela invista na propagação da diversidade que explora a beleza de cada um e, através dos mesmos meios de comunicação estimule as pessoas a se amarem como são. Cabe ao governo, em parceria com o Ministério da Educação, ministrar palestras nas escolas para alunos e pais em que nelas promovam que existe a diversidade e incentivem que a beleza está justamente na diversidade. Ao Poder Judiciário, cabe o dever de fiscalizar a atuação de clínicas clandestinas e permitir que exista um contato maior entre eles e a população, para que denúncias sejam feitas e haja contribuição nas investigações e punição dos criminosos. Pois, como disse Platão: “O importante não é viver, mas viver bem.”.