O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 21/09/2017
No livro “A moreninha”, o autor Joaquim Manuel de Macedo inova ao descrever sua protagonista, a jovem Carolina, de forma destoante do perfil de beleza europeu dos contos literários da época. Contudo, decorrido mais de um século de sua publicação, a imposição do padrão corporal na socie-dade brasileira é algo ainda expressivo. Logo, o estereótipo midiático e a negação imagética, por alguns, incitam ações à reversão desse quadro.
Segundo a psicanálise, o narcisismo é conceituado ao indivíduo com egocentrismo e vaidade exagerados à sua imagem. Desse modo,a busca pelo padrão comercial do corpo perfeito é reflexo de um estereótipo imposto pela mídia e indústria da moda, induzindo, a exemplo, à busca de intervenções cirúrgicas, por parte da população. Prova disso, conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o Brasil é o segundo país do mundo a realizar tais práticas, como lipoaspiração e implante de próteses.
Outrossim, os transtornos psicológicos ocasionados pela obsessão da perfeição corporal é preocupante. Com isso, a não aceitação ao corpo, em casos extremos, compromete a autoestima e a saúde desse, como observado em dietas prolongadas e em transtornos alimentares como bulimia, anorexia e vigorexia. Todavia, a polêmica recente sobre a liberação pelo governo de inibidores de apetite, a base de anfetamina,amplia a discussão sobre a validade do método, uma vez que a Anvisa é contrária, pois estudos indicam vício desses por uso prolongado.
Diante dos fatos expostos, para findar o estilo narcisista do culto a estética perfeita,é imprescindível, aos gestores municipais, parcerias públi-co-privadas no intuito de expandir o “Programa Segundo Tempo”, do gover-no federal. Assim, com a estruturação de praças e centros de atividades desportivas, sob supervisão de educadores físicos e nutricionistas, haverá o cuidado salutar apropriado. Ademais, a conscientização da população, por meio de palestras e worshops, pelas escolas e Secretaria de Saúde, é crucial. Por fim,fiscalizações austeras da Anvisa ao uso indiscriminado de fármacos emagrecedores, são vieses úteis ao novo “protagonismo” social.