O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 22/09/2017

A definição de beleza acompanha a humanidade desde os seus primórdios, houve-se uma época em que o sobrepeso era dito como padrão estético. Na contemporaneidade, entretanto, o desenvolvimento das tecnologias de informação gerou um aumento expressivo da divulgação e da cobrança acerca dos modelos estéticos, ocasionando diversos transtornos aos indivíduos que fogem desses padrões. Fatores de ordem cultural, bem como educacional, expressam a urgência de mudanças na sociedade brasileira.

É importante ressaltar, a negligência acadêmica quanto à abordagem da temática. Segundo Paulo Freire, se a educação sozinha não é capaz de mudar a sociedade, sem aquela tampouco esta mudará. Neste contexto, as escolas brasileiras ao se ausentarem dos debates sobre os ditos padrões e suas diversidades, assim como a importância da aceitação pessoal, fomentam um comportamento de padronização corporal na sociedade brasileira. Tal fato pode ser ratificado pela apatia do meio estudantil frente aos numerosos casos de bullying nas salas de aula relacionados aos padrões de beleza.

Do mesmo modo, tem-se a busca pelo corpo perfeito consolidada nos valores culturais brasileiros. Reconhecido mundialmente por sua beleza feminina, o Brasil é palco de constantes cobranças para o alcance dos padrões estabelecidos, como foi observado em pesquisa realizada pela marca de cosméticos, presente em muitos países, apontou que o Brasil encontra-se acima da média global na porcentagem de mulheres que se sentem pressionadas a atingir o corpo ideal. Nesse sentido, as exigências aos estereótipos de beleza estão associadas a uma identidade nacional de forte culto à padronização estética

É notória, portanto, a influência de fatores educacionais e culturais na problemática supracitada. Nesse contexto, cabe às escolas, em consonância com ONG´s da área, orientar aos alunos, desde a pré-escola, acerca da relevância da aceitação pessoal. Tendo como partida, a introdução de debates dentro da sala de aula, além de palestras que visam desconstruir os padrões criados e promover a diversidade de belezas. Paralelamente, a mídia, enquanto formadora de novos comportamentos e opiniões, deve desenvolver projetos de propagação da heterogeneidade estética existente no país. Essa medida deve contar com propagandas educativas nos veículos de comunicação e telenovelas que abordem o tema a fim de superar os ideais de beleza e garantir a harmonia da sociedade brasileira.