O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 21/09/2017

Como ter um corpo de praia?

“Oh, beleza! Onde está tua verdade?”, indagou Shakespeare. A resposta é bem simples: não há verdade. Em um mundo de intensa influência midiática, manipulação de imagens e autopromoção exagerada em redes sociais, o culto ao corpo perfeito faz parecer verdade uma utopia, principalmente no Brasil, país em que a pressão pela aparência perfeita atinge mais de 80% das mulheres, segundo pesquisas. Nesse sentido, percebe-se que, como fato social implantado pelos meios de comunicação, a sociedade brasileira adquiriu uma obsessão pela beleza inatingível, deixando de lado a saúde física e mental, as quais, de fato, proporcionam melhor qualidade de vida.

É indubitável a participação da mídia- revistas, programas de TV, outdoors e, principalmente, a internet- na formação do pensamento de culto à beleza. Por exemplo, ao se fazer uso de pessoas extremamente magras ou malhadas para promover produtos; manipular imagens para que pareçam surreais; transformar figuras públicas por meio de plásticas e maquiagem para que pareçam sempre perfeitas, a mídia gera um padrão inalcançável de aparência e promove um incômodo das “pessoas normais” quanto aos seus corpos.

Como consequência, doenças como anorexia, dieta alimentar rígida que leva à magreza excessiva, bulimia, que é a ingestão descontrolada de alimentos, e depois a provocação de vômito e uso de laxantes, e a vigorexia, caracterizada pela intensa prática de exercícios físicos e uso de suplementos e anabolizantes de forma descontrolada, são geradas. Além disso, a busca incansável pelo corpo perfeito deixa um vazio sentimental, uma vez que a beleza é superficial, não constrói vínculos duradouros e é, sobretudo, finita, podendo acarretar em doenças psicológicas, como a depressão.

Portanto, o Estado, com ajuda do SUS, deve, primeiramente, promover o tratamento das pessoas diagnosticadas com transtornos alimentares e psicológicos, com a ajuda de nutricionistas, psicólogos e  educador físico. Além disso, o CONAR deve agir de forma mais rígida e seletiva quanto às propagandas que padronizam o corpo humano. Por fim, há uma necessidade imensurável de conscientizar as pessoas quanto aos perigos da busca pelo padrão de beleza por meio da ambivalente mídia, a qual deve parar de promover a perfeição e partir para a inclusão de toda forma de ser, mostrando em suas manchetes que, para se ter um “corpo de praia”, é necessário ter um corpo, e ir à praia.