O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 21/09/2017

Orgulho Nietzschiano

Comprimidos para perda de apetite, dietas milagrosas, tratamentos arriscados. Essas são alternativas frequentes da contemporaneidade que vendem a imagem do corpo ideal. Contudo, poucos sabem do perverso lado, assinalado não só pelos efeitos físicos mas também pelos impactos psicológicos que um dado indivíduo padece ao se padronizar a essa concepção preocupante.

É necessário, antes de tudo, destacar os infortúnios que aflige a saúde física desse anseio que muitas das vezes pode levar ao óbito. Utilizando do conceito de Nietzsche bem como de Durkeim, o homem contemporâneo vive um dilema que, embora deseje e idealize, constantemente está insatisfeito consigo e com suas escolhas. E que se vê, além disso, compelido coercitivamente pela sociedade a seguir dado padrão ideal - corpo esbelto, magro. As consequências são nítidas, um exemplo é caso de Celso Santebañes, o Ken humano, que se submeteu a 91 cirurgias para se parecer com o boneco. Porém, tal medida acarretou, infelizmente, em sua morte.

Por outro lado, há ainda os dissabores psicológicos que rondam aqueles que são estigmatizados por não se padronizar. O isolamento social, o preconceito, como por exemplo a gordofobia, podem resultar em baixo estima que agravada corroboram para os transtornos alimentares, em especial ao sexo feminino. Só segundo a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, 77% das jovens apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como anorexia, bulimia e compulsão por comer. Constatação triste e, que evidencia a seriedade da situação no coletivo.

Em virtude dos fatos apresentados, fica claro portanto, que tal problemática é perigosa para a vitalidade da população tupiniquim e que medidas são necessárias para seu combate. Por isso, é indispensável que órgãos, como o Ministério da Saúde, promova políticas públicas que atenuem os distúrbios alimentares atestados. Cabe a mídia o dever de desvincular o culto ao corpo ideal de maneira demasiada e tóxica para o corpo saudável. Isso pode ser feito, por exemplo, com a divulgação de modelos plus size para desmitificar a magreza exacerbada e também combater o preconceito. E por fim, escolas através de aulas de sociologia podem emponderar desde já os pequenos do bem estar física e mental de seus corpos a fim de evitar futuros empecilhos. Só assim, então, superaremos o homem que assim defendia Nietzsche - o indivíduo capaz de superar sua limitações e as amarras impostas pela sociedade.