O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 18/09/2017

Na Grécia Antiga, a beleza era vista como dádiva dos deuses e os homens mais admirados socio-politicamente eram aqueles que se dedicavam, por horas, a exercícios físicos em busca de um ideal de beleza corporal. Em pleno século XXI, no Brasil, essa busca persiste de forma que a maior parte do tecido social, influenciado pela mídia e pressão social, chega a por sua vida em risco.

Nesse contexto a mídia tem papel significativo, uma vez que o cinema, a teledramaturgia e a propaganda sempre mostram protagonistas magras e altas, e no caso dos homens, altos e musculosos, enraizando na mente das pessoas um padrão corporal a ser seguido e admirado como o que acontecia na Grécia. Da mesma forma, a mídia influencia também as crianças ao retratar o super-herói sempre forte e a princesa magra e alta.

Uma pesquisa intitulada “Há uma beleza nada convencional”, realizada pela Edelman Intelligence, e publicada em 2016, aponta que “83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza”. Essa pressão social gerada, muitas vezes aliada à discriminação daqueles que fogem ao padrão, acaba por gerar um sentimento de insegurança e desespero em ser aceito(a) o que leva homens e mulheres a seguirem dietas radicais como cortar alguns alimentos, provocar vômitos e ter uma rotina excessiva de exercício físico, alguns chegam a desenvolver verdadeira aversão à alimentação. Tudo isso sem perceber que caminham para casos de bulimia, anorexia e até depressão.

Sendo assim, o Ministério da Saúde, junto aos meios midiáticos, deve criar propagandas de desconstrução desse padrão corporal e de divulgação de métodos mais saudáveis para a manutenção corporal, visando diminuir a procura das pessoas por práticas que ponham sua vida em risco. Cabe à escola dispor de psicólogos, nutricionistas e professores capacitados para identificar e ajudar jovens que estejam sofrendo dos transtornos supracitados. E juntamente à família, a escola deve também fomentar a discussão a respeito da influência da mídia e dos padrões construídos ao longo da história.