O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 20/09/2017
No mundo pós-moderno, incluindo o Brasil, a corpolatria vem se tornando cada vez mais uma questão de saúde pública. Sabe-se que os ideais de “corpo perfeito” passaram por diversas metamorfoses ao longo da História. Na hodiernidade, os valores corporais cultuados parecem ser o inverso daqueles da Grécia Antiga, em especial de Atenas: se lá a ideia era de que um corpo saudável e forte se refletiria em uma mente sã e também forte, hoje, os ideais partem da mente para o corpo. Do culto aos modelos corporais impostos pela mídia, são diversos os problemas consequentes, como transtornos alimentares e julgamentos preconceituosos para com os que divergem à regra.
Sabe-se que o capitalismo contemporâneo, por meio da “Indústria Cultural”, cria modelos culturais e comportamentais massificantes que padronizam os consumidores a seus produtos. A partir de propensões naturais do ser humano como narcisismo e uso da linguagem corporal como forma de distinção social - conforme delibera o sociólogo Pierre Bourdieu -, a mídia “vende” um padrão corporal pelos mais diversos meios, televisivos e publicitários, e até mesmo por patrocínios de postagens de “influenciadores digitais”, blogueiros, nas redes sociais. Por conseguinte, surge por parte da sociedade um culto ao corpo dito “perfeito”, e muitos problemas se estabelecem pela busca obsessiva à adequação a tal padrão, em prol de um suposto bem-estar individual e social.
Os efeitos autodestrutivos da corpolatria são comparáveis aos do “mal do século” ultrarromantista. Enquanto lá, no século XVIII, jovens de todo o mundo se deixavam levar pela idealização de pensamentos suicidas da literatura romantista, aqui, no século XXI, o culto exacerbado ao corpo gera uma autodestruição gradativa saúde dos indivíduos. Isso se dá, por exemplo, por meio de transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e vigorexia, todos já classificados pela psiquiatria como “transtornos obsessivos compulsivos”. Outrossim, surge a higiomonia, vertente da gordofobia, que se expressa em julgamentos morais de alguém que foge ao padrão corporal, o que afeta principalmente crianças acima do peso, com consequente bullying as dificuldades de integração social.
Para sanar essa patologia da pós-modernidade, faz-se necessário a tomada de medidas céleres e estruturais. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), deve regular com maior rigidez propagandas e meios midiáticos que promovam a corpolatria, garantindo a diversidade de aparências. Ademais, o Ministério da Educação (MEC) deve promover palestras e debates nas escolas sobre “auto aceitação”, pluralidade fisionômica e modos de identificação e tratamento de transtornos alimentares, além de ampliar a discussão para toda a comunidade, em espaços como academias, por meios de parcerias com ONG’s do âmbito da saúde.