O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 21/09/2017
De acordo com o sociólogo francês Pierre Bordieu a linguagem corporal é marcadora pela distinção social. De certo, assumindo a sociedade brasileira como qual que ainda admite a teoria de superioridade, vislumbra-se a idealização do padrão estético perfeito e posterior lancinantes esforços para alcançá-lo. Nessa perspectiva, delineia-se uma carência velada das liberdades individuais pela concepção do culto ao corpo cujos efeitos acarretam transitórios psicossomáticos, bem como interferências na coletividade geral. Em vista disso, há a necessidade de se analisar tal conjuntura a fim de se propiciar a edificação de uma sociedade saudável.
A priori, entende-se afirmativamente o discurso de Bauman, que caracterizou a sociedade atual, composta por relações fluidas, fascínio ao materialismo e a necessidade de autodeterminação. Em tal cenário dispõe a cultura de culto ao corpo, que responde satisfatoriamente aos novos anseios humanos. No entanto, anexo à busca por essa ambição, desenvolve-se uma perda de identidade e entrega à um ideal de perfeição frequentemente irreal.
Agregado ao panorama retratado, afere-se a atuação de corporações midiáticas e empresariais, as quais alinham-se à teoria de Foucault que via o discurso persuasivo como indutor de poder e dominação. Conforme a isso, instituições capitalistas inserem a exposição demasiada da padronização corporal, detendo poderio sobre uma massa de consumidores que reverbera em saldos positivos nos seus investimentos e capitais.
Consequentemente a esse processo, vê-se a pluralização de patologias psicossociais. A saber de tais, cita-se os transtornos alimentares, como anorexia, que de acordo com o Ministério de Saúde pode atingir até 77% das jovens paulistas. Este dado, por sua vez, denuncia a expectação da cultura de culto ao corpo se transforme em um caso epidemiológico, que além dos impactos pessoais, corrobora para o aumento de gastos governamentais no setor médico-hospitalar.
Em síntese, infere-se os resultados destrutivos da instauração do culto à padronização corporal, suscitando a necessidade emergencial da tomada de medidas a fim de conter os prejuízos dessa prática contemporânea. Ao encontro dessa meta cabe ao Estado, através de campanhas e propagandas, informar a população acerca dos riscos de aderir à busca pela perfeição corporal, bem como investir na acessibilidade médica e psicológica visando instaurar um projeto preventivo contra o surgimento de possíveis enfermidades. Ademais, é imprescindível que, a sociedade, por intermédio de projetos escolares e educação familiar, promova ações contra o estabelecimento de padronizações, além de estimular o respeito a diversidade estética para conter a fixação do ideal de culto ao corpo.