O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 16/09/2017

“Todos julgam a aparência, ninguém segundo a essência”. Assim como disse, em sua época, o filósofo alemão Schiller e trazendo sua máxima para o contexto de corpolatria, observa-se que tal pensamento está relacionado à valorização da sociedade em relação à busca pelo corpo perfeito. Esse fenômeno, muito influenciado pela mídia, pode gerar riscos à saúde, sendo necessário, assim, repensar os limites da vaidade. A partir desse contexto, cabe analisar as causas dessa busca pela perfeição, bem como seus reflexos na vida das pessoas.

Em uma primeira perspectiva, é válido observar que muitos indivíduos são influenciados pela mídia a seguirem o padrão de beleza estabelecido. Tal fato pode ser perigoso, já que pelos meios de comunicação é visto que para atingir o perfeito qualquer sacrifício é válido, o que leva as pessoas a realizarem intervenções desnecessárias que põem em risco a saúde, principalmente os jovens, que são mais influenciáveis. Segundo Adorno e Horkheimer, quanto mais forte os estereótipos, mais dificilmente as pessoas mudarão de opinião sobre o assunto. Assim, é preciso acabar, o quanto antes, com a ideia do corpo perfeito.

Por outro lado, a exaltação de certos padrões é uma forma de segregação social, tendo em vista que para alcançar o patamar desejado de boa forma é necessário investir grande tempo e dinheiro, porém, apenas uma parcela da população possui recursos financeiros suficientes para o tal. Desse modo, a estética corporal serve como um divisor social, na medida em que exclui os que não estão de acordo com os arquétipos, como os preceitos da autora Inês Senna Shaw, que afirma que o belo não pode ser dissociado do poder econômico que os indivíduos ocupam na esfera pública. Assim, a beleza se torna uma forma de preconceito, que se estende da procura por emprego até aos relacionamentos amorosos, prejudicando a interação social dos divergentes.

Dessa forma, é válido repensar os limites da vaidade. Assim, é necessária uma atuação conjunta entre as instituições capazes de influenciar nos comportamentos dos jovens, tais como família, escola e imprensa, a fim de influenciá-los a terem sensatez em relação aos limites entre a saúde e o desenvolvimento da corpolatria. Tal atuação pode ser feita a partir de freqüentes debates sobre o tema, palestras ou campanhas de conscientização em mídias de amplo alcance, mostrando que a saúde deve ser vista em primeiro lugar, ao invés da obsessão pelo físico.