O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 17/09/2017
O culto ao corpo perfeito vem se tornando um aspecto comum da nossa cultura, à medida que permeia a sociedade através de novas formas de dieta, consumo de cosméticos, procedimentos estéticos, entre outros. Ademais, a estética corporal tornou-se um bem de consumo cuja obsessão acarreta diversos riscos à saúde e, acima tudo, retroalimenta a própria sociedade de consumo. Por essa razão, é necessário uma mudança na mentalidade individual, com objetivo de orientar que a prioridade d deve ser por um corpo mais saudável.
Primeiramente, aponta-se a comercialização do corpo como principal responsável pela origem dessa fixação, tendo em vista os benefícios econômicos para as indústrias de beleza com a criação e difusão de uma padronização do corpo. Segundo o filósofo e sociólogo Theodore Adorno, utilizando-se de veículos de comunicação em massa, a indústria cultural manipula a população a consumir os produtos vendidos por essas empresas, através da criação de falsas necessidades. Dessa forma, dietas para emagrecer, produtos para aumentar a musculatura corporal e uso de substâncias rejuvenescedoras estão entre os principais desejos de consumo impostos pelos meios de comunicação.
Em segundo lugar, essas atitudes possuem implicações sérias para saúde, uma vez que levam a doenças como o transtorno dismórfico corporal, na qual o indivíduo tem uma visão distorcida de sua imagem de forma a ver um defeito que não existe. Essa condição, assim como a anorexia, a vigorexia e a bulimia são problemas psicológicos com sérias consequências físicas, como a excessiva perda de peso pela alimentação deficiente e doenças hepáticas pelo uso de anabolizantes, entre outras. Além disso, deve ser questionada a mentalidade que rejeita qualquer forma de defeito, termo indevidamente usado para se referir a qualquer desvio do padrão de beleza estabelecido.
Portanto, faz-se necessário o combate a esse tipo de pensamento, através de maior abordagem e dessa questão nas escolas, através da sua inclusão no currículo escolar, e de reuniões entre pais e professores para discutirem e trabalharem em conjunto a conscientização dos jovens. Junto a isso, o Ministério da Saúde em conjunto com associações de categorias profissionais, de médicos, de nutricionistas e de psicólogos, devem promover campanhas de esclarecimento nas diversas mídias sobre os efeitos para saúde causados pelo culto excessivo ao corpo, bem como métodos adequados para atingir um corpo saudável.