O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 16/09/2017

Não é difícil lembrar notícias sobre jovens que morrem devido a distúrbios alimentares, como a bulimia e anorexia. Essa imagem tornou-se frequente nos dias de hoje, visto que, vivemos em uma sociedade na qual é necessário um tipo físico específico para ser aceito socialmente. Nesse contexto, o culto à padronização corporal no Brasil tornou-se um problema que afeta, sobretudo, a saúde dos indivíduos; infere-se que este é causado pelo papel coercitivo concretizado pelas mídias e pela ação do capitalismo que transfigurou o corpo humano em um objeto de comercialização.

Um dos tópicos que devem ser abordados é o efeito dos meios de comunicação sobre a sociedade contemporânea. A partir da década de 80 com a disseminação das emissoras de TV, a população encontrou-se inserida em uma nova realidade social. Nesse cenário, as novelas e filmes passaram a ser o meio onde são ditadas as tendências. Esse fato promoveu o culto ao corpo perfeito, uma vez que as personagens dessas indústrias eram idealizadas como modelos perfeitos a serem seguidos. É indubitável afirmar que essa conjuntura está ligada com o surgimento e crescimento de doenças ligadas a distorções da imagem corporal, como a bulimia e anorexia. Jovens e adolescentes são as principais vítimas destas comorbidades, posto que, ainda não possuem o senso crítico plenamente desenvolvido, logo, estando a merce da manipulação midiática. Dessa forma, torna-se imprescindível a ação do Ministério da Saúde junto a esses canais a fim de divulgar os riscos da busca desse padrão.

Ademais, não há dúvidas que as indústrias do ramo estético tenham se convertido em um mercado milionário. Inúmeros são os produtos e tratamentos que prometem tornar mais harmoniosa a aparência física; entre os principais podemos citar as cirurgias plásticas. O Brasil ocupa uma posição de destaque, nesse contexto, é o 2º no ranking mundial, sendo reconhecido por exportar técnicas para o demais países. Essa situação mostra-se preocupante ao percebermos que o corpo humano passou a ser objetificado. E ,assim, como na maioria dos produtos, o mercado tem o único objetivo de lucrar, estando alheio ao bem-estar psicológico desses indivíduos. Diante disso, percebe-se a necessidade de um acompanhamento especializado aos indivíduos que almejam realizar essas intervenções.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Em primeiro lugar, o Ministério da Saúde deve promover  campanhas midiáticas a fim de alertar sobre os danos de uma alimentação inadequada, e em conjunto com as secretárias de saúde municipais criar um programa de acompanhamento de indivíduos com distúrbios alimentares. Dando continuidade, o Conselho Federal de Medicina deve instituir uma normativa, que sujeite os indivíduos a um acompanhamento psicológico, de no mínimo 3 meses, antes de cirurgias plásticas. Só assim, o culto a um padrão corporal deixará de ser um impasse.