O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 16/09/2017
Sob o culto do igual, quem é plural é rainha
Contígua ao processo de Globalização, a qual possibilitou um maior estreitamento das relações entre pessoas no mundo todo, surge inconspícua a aculturação. Em paralelo a tal proposição, explicado pelo sociólogo Émile Durkheim, os fatos sociais se fazem presentes nas sociedades orgânicas como maneiras de agir e pensar, exteriores ao indivíduo e passíveis de ações paliativas por certo poder coercitivo. Destarte, faz-se necessária a reflexão sobre a padronização corpórea que se tem instalada na sociedade brasileira, bem como suas consequências e possíveis soluções.
A despeito da beleza feminina, embora o biótipo brasileiro seja mais baixo e curvilíneo, o país desenvolvera, no decorrer dos últimos anos, dois padrões de perfeição concomitantes e, ainda assim, paralelos entre si: a frágil magreza das modelos de passarela e os músculos de horas afinco na academia. Mediante tais moldes, mulheres por todo o país veem-se pressionadas incansavelmente, por meio da mídia e, muitas vezes, dos próprios parceiros e familiares, a obtê-los sob quaisquer custos, a fim de se tornarem uma idealização de “must have” imposta por especialistas e influenciadores.
Sob esse ângulo, é incontrovertível que a saúde física e mental das brasileiras é posta em risco, conquanto estivessem obtendo resultados satisfatórios. Segundo o site r7.com, por mês, ao menos uma pessoa morre em decorrência de complicações nas cirurgias plásticas. Ademais, em especial nas redes sociais, o índice de mulheres acima do peso, muitas vezes positivamente satisfeitas com o próprio corpo, que têm sofrido depreciações, ora por jargões ora por olhares tortos, ainda é alto e rastilho de uma sociedade preconceituosa e escravizadora. Aqui, a felicidade pessoal é ditada por outros e, se não obedecida, passível de castigos, como o “bullying” e a expulsão de grupos sociais homogêneos.
Mediante os fatos expostos, parafraseando Durkheim, a cultura do corpo não é somente um sistema de ideias, mas também um sistema de forças. Dessa forma, depreende-se que é da alçada do Governo Federal o uso de ações paliativas no combate à padronização da melodia que é o corpo da mulher. Assim, por meio do Ministério da Cultura, em parceria com as redes de televisão e das escolas, sob programas de inclusão, poder-se-ia inserir em novelas, propagandas e livros escolares diferentes moldes corpóreos, mesmo aqueles com marcas de estrias e cicatrizes, a fim de mostrar à população que a naturalidade deve ser exaltada. Dar-se-ia a tais veículos uma diminuição em impostos ou ajuda financeira, diminuindo a aculturação de padrões quase impossíveis de serem obtidos e aumentando a autoestima da mulher, além de reduzir mortes decorrentes dessa obsessão.