O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 15/09/2017

Doente, pressionado e frustrado, essas são algumas expressões que definem a atual situação de diversos brasileiros, que em virtude da pressão exercida pela sociedade e pela industria cultural, buscam alcançar o modelo corporal “ideal”. Frente a isso, muito se tem discutido sobre os possíveis problemas decorrentes do culto à padronização corporal no Brasil. Há quem considere tal processo positivo, e outros que consideram esse fenômeno, extremamente, negativo. Em uma análise aprofundada da situação, observa-se que a padronização corporal que vigora na sociedade brasileira é prejudicial para o indivíduo e para a coletividade devendo, por conseguinte, ser combatido.

Adiante, há quem acredite que a padronização estética é algo benéfico, pois estimula a adoção de bons hábitos alimentares e a realização de atividades físicas, reduzindo assim, a chance de desenvolver doenças como, por exemplo, a obesidade e a hipertensão. Entretanto, há de se considerar que o real efeito de tal processo, difere dessa realidade utópica, uma vez que, a busca pelo padrão corporal está associado à imagem de aceitação social, tornando-se para muitos uma obsessão. Sendo assim, tal processo pode levar ao desenvolvimento de transtornos psicológicos caracterizados por: ansiedade e baixa-autoestima, que se não forem tratados com acompanhamento psicológico, propiciam o desenvolvimento de diversos transtornos alimentares, que colocam a vida do indivíduo em risco.

Ademais, vale destacar que o culto à um modelo estético, além de causar impacto negativo ao indivíduo, é prejudicial do ponto de vista social. Visto que, assim como proposto pelo sociólogo Adorno, os estereótipos criados pela indústria cultural, tiram a liberdade de pensamento dos espectadores e forçam imagens de padrões socialmente aceitos; gerando, assim, a exclusão e a aversão aos que não se enquadram nesse grupo. Sendo possível perceber tal realidade, através de programas veiculados nas redes sociais, como por exemplo, o Fábrica de Monstros, que pregam um padrão corporal, ao mesmo tempo que estimulam a agressão a aqueles que não se enquadram nesse modelo.

Torna-se evidente, portanto, que a padronização corporal é negativa e deve ser combatida. Cabe às ONGs, voltadas para questões sociais, estimularem a concepção de corpo saudável, através de palestras e eventos comunitários, visando eliminar na população a concepção vigente de corpo ideal. Cabe ao Ministério da Educação implementar nas aulas de educação física, palestras com profissionais de saúde, fitando estimular nos jovens a concepção de hábitos saudáveis e a aceitação à diversidade. Além disso, compete ao Ministério da Saúde criar programas multidisciplinares que visem atender a população acometida por transtornos alimentares, fitando tratar esses indivíduos de forma adequada, impedindo assim, a persistência de tais doenças.