O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 14/09/2017

Sandro Botticelli, artista italiano do período Renascentista, pintou a obra “O Nascimento de Vênus”, a qual representava o ideal estético de sua época e foi inspirada em valores gregos e romanos. De maneira análoga, novos padrões de beleza foram inferidos nas diferentes gerações, de modo a configurar um grave problema social devido ao estabelecimento da padronização corporal. Nesse sentido, urge a necessidade de analisar como a questão midiática e o indivíduo pós-moderno corroboram a problemática e são fatores a serem superados.

Em coadunação com a teoria frankfurtiana, os meios de comunicação em massa atuam na homogeneização do pensamento da sociedade, com o objetivo de vender um produto. Dessa forma, o “corpo ideal” e a juventude são hipervalorizados, fato evidenciado pelo crescimento de cirurgias e procedimentos estéticos no Brasil. Estes, muitas vezes desnecessários, podem conferir transtornos de saúde com doenças como a anorexia e a bulimia, visto a insatisfação com o próprio corpo. Todavia, trata-se de uma falsa perfeição e de um padrão estético inalcançável, uma vez que mesmo os modelos utilizam de editores fotográficos para esconder “defeitos”.

Além disso, o filósofo Zygmund Bauman define o indivíduo pós-moderno como participante de relações instáveis e de fácil descartabilidade, haja vista a rapidez com que as coisas mudam. Nessa perspectiva, os conceitos estéticos tornaram-se primordiais para o início e o fim de um relacionamento amoroso ou de uma amizade. Logo, possuir a forma almejada é, sobretudo, fator de inclusão social. No entanto, quando o indivíduo não consegue atingir o corpo ideal, sente-se segregado, perde a autoestima e fica sujeito à depressão e ao suicídio.

Convém, portanto, que o Estado, em parceria com a mídia - emissoras televisivas e redes sociais -, promova a inserção de pessoas com tipos variados de beleza, mediante a novelas, filmes, propagandas e debates em programas que desconstruam os paradigmas estéticos, com o intuito de valorizar o pluralismo visual e disseminar ideias de autoaceitação. Ademais, as instituições de ensino podem proporcionar aulas reflexivas, mediante a participação de psicólogos que trabalhem noções de inclusão e da importância das diferenças físicas na sociedade, a fim de que os alunos levem o aprendizado escolar para casa e percebam que, mesmo em suas famílias, existem características diversas.