O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 14/09/2017
O corpo humano sempre foi objeto de admiração entre as sociedades humanas, desde a Antiga Grécia, quando começou a ser retratado nas esculturas e pinturas, até os dias atuais. De lá para cá, o conceito do que é um corpo belo e ideal sofreu variações, influenciado pelo contexto histórico e relações sociais. Após a Idade Média, o corpo mais gordo era contemplado, principalmente porque demonstrava maior poder aquisitivo e era associado as classes dominantes vigentes. Hoje, no século XXI, esse padrão, mais uma vez, se modificou. No Brasil, o corpo magro é sarado é tido como ideal e é notável os crescentes esforços, muitas vezes prejudiciais, da população para atingir essa padronização idealizada.
Em primeiro lugar, há de se considerar algumas das causas que levam à essa busca incessante do corpo perfeito. A mídia é o principal protagonista na promoção dessa busca. Isso porque divulga intensamente esse padrão, por meio da exposição constante de pessoas que se enquadram neste modelo. Dessa forma, exerce uma pressão psicológica nos indivíduos, que passam a almejar a estar nessa mesma forma física. Além disso, se tem, no imaginário social, a ideia que o corpo belo pode promover melhores oportunidades, melhor aceitação e, até mesmo, trazer um maior respeito.
Toda essa pressão para alcançar o físico estabelecido, trás inúmeras consequências negativas para os indivíduos, que não medem esforços para transformar desejo em realidade. Isso pode ser verificado com o aumento das dietas mirabolantes, dos procedimentos estéticos feitos em clínicas ilegais, das exaustivas horas na academia e dos transtornos alimentares. Cada uma dessas ações, por sua vez, podem ocasionar prejuízos à própria saúde ou mesmo levar ao óbito. Ainda, quando não se alcança esse padrão, a insatisfação consigo mesmo, a baixa autoestima e a frustração tomam conta da pessoa. Diante do exposto, é verificado o quanto toda essa padronização é negativa sobre os indivíduos, devendo ser combatida por meio de esforços conjuntos. Para isso, o governo pode criar leis que limitem toda essa exposição da mídia e regulem seu conteúdo. As escolas, instituição de grande influência na formação moral dos cidadãos, podem ensinar as crianças desde cedo, a valorizar seus próprios corpos do modo que são em detrimento do ideal de corpo que é imposto.