O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 18/09/2017
Na mitologia grega, certo dia, Eris, a Deusa da Discórdia, jogou uma maçã entre as deusas Atena, Afrodite e Hera. Na fruta, constava a sentença “para a mais bela”, e a tarefa de selecionar uma das deusas coube ao jovem pastor, Paris. A decisão dele suscitou um célebre e místico conflito: a Guerra de Troia. Na contemporaneidade, a beleza não desencadeia guerras como fez na Grécia Antiga, contudo, ainda traz diversos males às pessoas, tendo em vista o culto à padronização corporal na sociedade. Isso é fruto da supervalorização da aparência, bem como é fruto da forte pressão social pelo alcance do que é considerado belo.
Em primeira análise, deve-se considerar que culto à padronização corporal ocorre devido à cultura coercitiva da sociedade que leva muitos indivíduos a lançarem-se na busca de atingir o padrão de corpo considerado belo. Tal ideia pode ser corroborada por meio do dado de que 63% das mulheres sentem-se pressionadas a alcançar a definição de beleza, conforme pesquisa feita pela Edelman Intelligence. À luz de tal estudo, vê-se que as pessoas, pressionadas pelo meio social, permitem-se investir em mecanismos perigosos para moldar seus corpos, como cirurgias plásticas de risco, práticas físicas abusivas e dietas extremas. Os resultados dessas atitudes retornam aos próprios praticantes, na forma de estresse constante, de cansaço excessivo e de redução da imunidade psico-fisiológica.
Ademais, é válido ressaltar que o culto à padronização corporal é estimulado por pessoas que fazem da aparência física e a manutenção dela algo de enorme magnitude nas suas vidas. Isso ocorre tendo em vista que essas pessoas definem e prestigiam umas às outras, em primeiro plano, a partir da forma corporal. Ou seja, manter uma boa forma é essencial para garantir o status quo no meio social. A partir disso, vê-se que todas as potencialidades do intelecto e do caráter de uma pessoa são desconsideradas. Como consequência, muitas vezes, as pessoas que não correspondem ao padrão corporal ideal acabam sendo vítimas de desprezo e bullying em sua comunidade.
Portanto, é essencial encontrar maneiras de equilibrar a valorização do corpo com a manutenção da saúde do indivíduo. Cabe às escolas, enquanto formadoras de cidadãos, promover trabalhos com psiquiatras, educadores físicos, psicólogos e nutricionistas que orientem os alunos a cuidar de seus corpos de forma parcimoniosa, objetivando formar adultos conscientes que não recorram a medidas extremas para moldarem seus corpos. Além disso, é importante que instituições que influenciam o comportamento humano, como a própria escola, a família, as universidades e as igrejas, promovam campanhas que desenvolvam a aceitação e o respeito para com os indivíduos, objetivando coibir o preconceito com aqueles que não correspondem aos padrões estéticos determinados pela sociedade.