O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 27/10/2017
“O progresso roda constantemente sobre duas engrenagens. Faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”. A frase, do escritor e pensador Vitor Hugo, exprime a ideia de que o sistema capitalista funciona baseando-se na exploração constante dos indivíduos. Analisando esse conceito atrelado à conjuntura atual, nota-se o culto ao corpo ideal, no Brasil, utilizando-se da publicidade, tem caráter predatório, contribuindo para o avanço de índices de transtornos alimentares e baixa autoestima, atingindo até mesmo crianças.
A definição de padrão de beleza não é uma invenção do século XXI. Na Grécia Antiga, a valorização do corpo atlético era intensa, porém, na contemporaneidade, com o avanço tecnológico surgiu os veículos de informação, que ajudaram a gerar um aumento expressivo na divulgação e cobrança acerca dos modelos estéticos vigentes. Por conta de serem, muitas vezes, inatingíveis, acabam causando sofrimento aos indivíduos que fogem do padrão. Essas podem não apenas acabar sofrendo bullying, mas também doenças como depressão, bulimia, anorexia e vigorexia.
A industria da beleza é uma das mais lucrativas para o mundo capitalista, por isso há uma cobrança cada vez maior pelo corpo ideal de um padrão consolidado em determinada cultura. De acordo com uma pesquisa realizada pela marca de cosméticos Dove, há uma exigência maior do público feminino brasileiro pela busca da perfeição, se comparado ao resto do mundo.Nesse sentido, as exigências aos estereótipos de beleza estão associadas a uma identidade nacional de forte culto à padronização estética. Mas o problema, inicia-se na educação, visto que há uma negligência acadêmica e domiciliar quanto à abordagem da temática. Tanto as escolas, quanto pais e responsáveis, se ausentam sobre o debate das diversidades de belezas e da importância da aceitação pessoal. Tal fato pode ser ratificado pela apatia do meio estudantil frente aos numerosos casos de bullying nas salas de aula relacionados aos padrões de beleza e pelo modo como mães acabam influenciando suas filhas a não aceitarem algum aspecto físico, como os cabelos cacheados, por exemplo, por meio do aprendizado visual,vendo suas responsáveis rejeitando a si próprias.
Portanto, diretrizes são necessárias para reverter esse impasse.Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação orientar estudantes acerca da relevância da aceitação pessoal a partir de palestras e debates, ministradas por psicólogos, pedagogos e professores nas salas de aula. Em consonância,ONG’s, por de campanhas na internet e nas ruas, devem desconstruir os padrões criados e promover a diversidade de belezas. E unido a isso, a mídia precisa desenvolver projetos de propagação da heterogeneidade estética existente no país por meio do entretenimento e de debates.