O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 13/09/2017

Muito se tem discutido, na contemporaneidade, acerca do padrão ideal de imagem corporal. Nesse sentido, o escritor Aldous Huxley, em uma de suas maiores obras, já comprovou o quão fixada a moldes pode funcionar uma sociedade. Nos anos recentes, por exemplo, distando da falsa ilustração propalada na mídia, os indivíduos se tornam ou gordinhos ou fora do ‘’normal’’. Essa ideia, no entanto, não só causa agravo à saúde, como converte o ser humano moderno à compreensão de que o melhor é penar agora para ser feliz no amanhã – o que imortaliza a valorização de tantas coisas mais valorosas.

Já se constata caracterizado, incontrovertivelmente, as reconfigurações a que se sujeita o tecido social. Destaca-se desde maior conectividade até destacável preocupação com o físico, com o exterior. Tem-se tornado cada vez mais alta a procura por academias. Influenciados em grande medida pelos meios de comunicação e de propaganda, os brasileiros se veem acima do peso, mesmo quando este não passa da média estabelecida à massa correspondente a seu corpo. Paralelamente a isso, intensificam-se, nesse ínterim, prejuízos e transtornos alimentares, como a bulimia e a anorexia.

De outra parte, esse cenário adensa as instáveis uniões familiares. Isso porque, com tal preocupação, muitos se esquecem dos ideias pessoais e profissionais que já estabeleceram para si. Outrossim, torna-se injusta a corrida pelo corpo perfeito, uma vez que essa luta se resume a disputar com outro indivíduo o melhor porte físico. Em contraposição à ideia de Platão sobre viver lidando-se com a vida nos meios propícios, as pessoas dão destaque, então, a sucessivos tratamentos para perda de peso ou redução de gorduras que, quase sempre, nem apresentam. Essas constatações evidenciam, portanto, os desgastes a que se submetem esses indivíduos, por razões quase sempre pífias.

Em vista do cenário deparado na nação brasileira, cumpre abordar medidas. Por um lado, cabe às mídias de TV e revista discorrer, por meio não apenas de anúncios mas de conversas com pessoas capacitadas, sobre os riscos e danos de tais buscas. Para a mudança desses hábitos, cabe uma associação entre o Ministério da Saúde e ONGs, com cartilhas que alertem para esses males, além da ainda realização de debates públicos e on-line sobre as formas de se manter saudável sem apelar aos casos extremos. Com isso, espera-se maior cuidado dos integrantes do corpo social nos traços maiores não de beleza, mas de convivência.