O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 12/09/2017
O culto à padronização corporal é um tema que tem sido amplamente discutido no Brasil. A preocupação está centrada nos limites para se alcançar a “estética ideal” e nas causas da busca obsessiva por um corpo perfeito. Desse modo, os seguintes aspectos devem ser analisados: transtornos psiquiátricos e mundo midiático.
Bulimia, anorexia e consequente depressão. Essas são as principais doenças associadas aos padrões de beleza impostos pela sociedade. Tais transtornos são resultado de um “distúrbio de imagem”, em que o indivíduo não aceita a forma de seu corpo e tem a impressão de estar sempre acima do peso, em um nível além da realidade. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, esses males acometem, principalmente, mulheres na fase da adolescência, o que se justifica pela grande pressão no cotidiano em atingir um corpo magro e com traços considerados “normais” para uma jovem. Isso é, no mínimo, preocupante e pode levar a cenários extremos, como insuficiência das funções do organismo e inclusive, ao suicídio.
Além disso, a problemática é intensificada pela significativa influência que os meios midiáticos exercem sobre a população. Isso se confirma, por exemplo, através dos comerciais de televisão, nas propagandas e nas novelas, onde os apresentadores têm, em grande parte, um padrão estético envolvendo magreza e determinadas formas físicas. Associado a isso, tornaram-se constantes as ofertas de “produtos milagrosos” para emagrecimento, junto a propagandas de caráter apelativo exaltando um certo modelo corporal, fato o qual reforça a ideia equivocada de que uma aparência diferente, é errada. Não são raras as vezes em que um indivíduo desrespeita seus limites físicos em uma academia e acaba adquirindo problemas de saúde em decorrência do desejo em ter um corpo perfeito.
À vista disso, pode-se afirmar que o culto à padronização corporal é uma temática a qual envolve, sobremaneira, os limites entre estética e saúde. É fundamental, pois, que diretores de programas televisivos passem a dar espaço de atuação à pessoas com diversidades estéticas, de modo que, a médio prazo, seja possível desconstruir padrões corporais. Ainda, é importante que as academias de treinamento físico tenham uma maior fiscalização por parte dos órgãos responsáveis, de maneira a não permitir exercícios extremos que podem proporcionar riscos ao indivíduo. Somente assim, será possível valorizar as diferenças da sociedade e diminuir significativamente os casos de distúrbios alimentares.