O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 10/09/2017

O número de doenças causadas por obesidade tem aumentado nos últimos anos, havendo um esforço generalizado para alterar o estilo de vida de muitos brasileiros através da adoção de melhores hábitos alimentares e exercícios físicos. Sendo o culto ao corpo uma das consequências dessa mudança. No entanto, esse valorização está disseminada de tal forma, que a pressão social pelo corpo perfeito está cada vez mais forte.

Hoje em dia, a mídia constantemente reforça a necessidade de se ter uma vida ativa e regrada, e uma das formas que ela se utiliza para convencer o público é através da exposição excessiva de indivíduos com corpos esculturais. Isso se dá tanto através de comerciais que continuam a  objetificar o corpo da mulher para vender produtos, quanto de programas que montam cenários com dançarinas em boa forma como pano de fundo. O corpo se tornou um meio de agregar valor, seja à uma empresa ou a si próprio.

E as redes sociais estão contribuindo para essa transformação do corpo como instrumento de valorização. O facebook e instagram, por exemplo, são redes em que a fotografia é o principal tipo de conteúdo publicado. Seus usuários são bombardeados por imagens o tempo todo, de modo que muitas dessas fotos são de outros usuários tentando se auto promover, utilizando o próprio corpo como ferramenta. E enxergando o potencial dessa dinâmica, o mercado passou a investir em figuras públicas com corpos dentro do padrão para melhorar a imagem de suas marcas.

O resultado é uma intensa reafirmação do padrão clássico de beleza, levando muitas pessoas a adotarem medidas drásticas que em alguns casos podem ocasionar problemas de ordem física e psicológica. Por esse motivo, é necessário desvincular a imagem de sucesso à um único padrão de beleza. Para que isso seja possível, a mídia deve representar os mais diversos tipos de corpos em suas peças ficcionais, marcas podem escolher modelos e atores que não se encaixam nos padrões, e as redes sociais sejam rígidas em sua política de bullying e discriminação corporal.