O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 10/09/2017
A lenda do nó górdio, da mitologia macedônica, conta a história de um laço muito rígido, de difícil solução, que fora desfeito apenas pela espada de Alexandre, o Grande. Devido aos seus efeitos maléficos a população, o culto à padronização corporal no Brasil torna-se um nó górdio, visto que atenta contra a pluralidade nacional, forçando todos os indivíduos a igualizarem-se. Nesse viés, medidas midiáticas e educacionais necessitam ser aplicadas para que se combata essa padronização, desentrelaçando, quiçá um dia, esse nó de forma permanente no país.
Por deter o quinto maior território do mundo e ser um país marcado por altos indicies de imigração, o Brasil tem como uma de suas características principais a diversidade de sua população. Essa imparidade, entretanto, é desvalorizada pelo meio artístico e midiático nacional desde os primórdios da nação, obrigando todo o povo brasileiro - composto por etnias distintas - a seguir um mesmo padrão corporal. Essa imposição gera diversos problemas aos cidadãos, que nem sempre tem a genética necessária para segui-la e, em função da pressão do meio, acabam por tomar medidas nocivas à sua saúde - como cirurgias plástico-bariátricas desnecessárias e exercícios físicos excessivos. Em função da impossibilidade de atingir esse ideal corpóreo, grande parte dos lusofono-americanos sente-se pressionada, o que faz essa padronização criadora de um problema tanto fisico quanto psicológico.
Émile Durkheim teoriza, em sua tese do corpo social, que a comunidade comporta-se como um organismo biológico, regulado pela interação de seus indivíduos. Partindo da ideia do sociólogo, o culto à padronização corporal no Brasil age como uma proteína inibidora para com o corpo nacional, pois acaba com a diferenciação de seus constituintes e diminui o bem estar social, já que a multiplicidade dos indivíduos é que fornece a cinética necessária para as relações comunitárias. Esse problema, então, faz-se prejudicial não só aos indivíduos que não se encaixam no ideal corpóreo vigente, mas também à todo país. Nesse ínterim, é necessário combater esse problema na pátria para que se garanta maior qualidade de vida a população e, assim, ajude-se a totalidade nacional.
Para romper o nó górdio do culto à padronização corporal no Brasil, a mídia pode vincular propagandas com atores que identifiquem o telespectador e criar slogans como “ser saudável é a nova moda”, visando a substituir a busca maléfica pelo ideal corpóreo por práticas saudáveis no país. Ademais, as escolas devem unir a matéria de educação física à filosofia para mostrar aos estudantes a efemeridade dos padrões de beleza e a importância de valorizar as características físicas das diversas culturas. Com essas medidas, a conscientização far-se-á como espada alexandrina aos brasileiros, garantindo uma nação feliz e menos suscetível a pressão da padronização estética no futuro.