O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 09/09/2017

Sacrificios padronizados

83% das mulheres se sentem obrigadas a atingirem o ideal de beleza. 63% delas acreditam que tal aparência importa para serem bem-sucedidas. Anorexia. Bulimia. Vigorexia. Esse quadro mostra como é alarmante a realidade brasileira em relação à padronização corporal, visto que prejudica a saúde física e mental da população. Dessarte, há de se entender tal problemática, a fim de minimizá-la.

À vista disso, devem-se considerar os estudos sobre Indústria Cultural de Adorno e Horkheimer, os quais definem que essa tem a função de criar necessidades, dentre elas a ideia do corpo ideal. Assim, este passou a ser o desejo de “consumo” de boa parte dos indivíduos. Tal fato se agrava ainda mais no Brasil, o qual tem a imagem de ser um país tropical e saudável, onde as pessoas são magras e musculosas. Por consequência, os cidadãos são pressionados a seguir esse padrão corporal, o que compromete as suas saúdes. Dessa forma, há a manutenção dessa questão, sendo fundamental invertê-la.

Acresça-se a isso a psicanálise de Freud, a qual determina que a personalidade do ser humano se forma na infância. Logo, crianças expostas a desenhos, a propagandas com pessoas sempre magras e fortes e a brinquedos que só representam esse tipo de corpo, tendem a ser adultos forçados a o terem. Além disso, no Brasil, ainda há festivais, como o carnaval, nos quais as musas são sempre mulheres com o ideal definido de beleza, consequentemente, os indivíduos são condicionados a pensarem que possuí-lo é essencial para serem qualificados. Desse modo, observa-se a persistência de tal realidade prejudicial para o bem-estar geral, por isso, é crucial modificá-la.

Sendo assim, é primordial remodular o macrocosmo social brasileiro. A esse propósito, cabe à sociedade médica evidenciar que nem sempre o corpo mais magro é o mais saudável, através de palestras de fácil acesso a toda a população que abordem a temática, com o intuito de que as pessoas entendam que não existe, de fato, um corpo ideal. Ainda, é de responsabilidade das escolas trabalhar a autoestima e o pensamento crítico dos jovens, por meio de seminários com psicólogos que mostrem que o corpo perfeito é aquele equilibrado, com o objetivo de formar cidadãos que não se influenciem por meios externos. Ademais, é imprescindível que a mídia se modernize, por intermédio da apresentação de uma maior diversidade corporal nos seus programas, tendo em vista que os indivíduos se sintam melhor representados, para que, assim, a humanidade se reinvente em um mundo mais saudável. Afinal, segundo Schopenhauer, “o maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem”.