O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 09/09/2017
O culto à padronização corporal acompanha a humanidade desde os seus primórdios, dado o exemplo da escultura renascentista “Davi”, de Michelangelo, que representa o ideal de beleza. Embora tenha seus benefícios, a busca pela perfeição corpórea é problemática quando se sobrepõe à saúde. Nesse sentido, é importante que hajam ações estatais que atenuem os excessos da padronização, com o propósito de evitar maiores problemas para a saúde pública brasileira.
Em primeira análise, o culto ao corpo perfeito no Brasil contemporâneo trouxe benefícios, já que foi responsável pela crescente busca por atividades físicas e alimentos saudáveis. Criou-se, no último século, uma verdadeira “Era Fitness” que, a partir do desejo de ter um corpo atraente, procura por academias e suplementos alimentares, que melhoram a qualidade e expectativa de vida. Parafraseando o filósofo Hegel, a mudança de realidade advém da mudança de pensamento, ou seja, o culto ao padrão corporal foi o estopim para uma mudança: a busca por uma vida saudável. Portanto, é inegável que a procura por um corpo ideal pode ser benéfica quando essa leva a uma vida mais equilibrada.
Todavia, nacionalmente há uma tendência à busca extrema pelos padrões de beleza que leva à problemas psiquiátricos graves, que geram anualmente altos gastos para a saúde pública. Isso porque é evidente que, em razão dos recursos de manipulação de imagem, os padrões estipulados pelas revistas e propagandas são inalcançáveis, gerando frustrações que são fatores que levam a doenças como anorexia, bulimia e até depressão. Tal cenário é abordado pelo filme “O mínimo para viver”, que mostra a história de superação de uma jovem que sofre com anorexia, distúrbio que leva à extrema magreza, de forma a colocar a vida da personagem em perigo. Dessa forma, a busca demasiada pela beleza padronizada é um problema a ser resolvido, já que é uma questão de saúde pública.
Para que haja mudança, o MEC deve aumentar a carga horária da Educação Física e distribuir lanches saudáveis nas escolas, a fim de criar futuros cidadão que deem à saúde a devida importância, antes mesmo da padronização corporal. Outrossim, ONGs devem realizar palestras nas comunidades que evidenciem ao público os perigos de dietas sem acompanhamento médico e da mudança corporal súbita, de forma a evitar que a população coloque o ideal de beleza acima do respeito à saúde. Por último, os grandes canais de TV devem criar propagandas que mostrem indivíduos que estão fora do padrão de beleza mas, de igual forma, são belos de sua própria maneira, seja pela saúde, pela personalidade ou pela história de vida, criando então uma cultura de admiração mais ampla, fora dos preceitos distantes determinados pelas mídias. Quiçá dessa forma possa-se alcançar o ideal visto por Tales de Mileto ainda na Antiguidade: “A felicidade do corpo consiste na saúde”.