O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 08/09/2017
É incontrovertível o aumento de pessoas que se submetem a busca de modelos corporais inatingíveis na contemporaneidade. No entanto, as diferentes visões acerca dos tipos estéticos que deveriam ser incorporados pelo meio social, marcam a história da humanidade, uma vez que ,desde a antiguidade clássica, os gregos instituíam que o corpo ‘’perfeito’’ era tão importante quanto a intelectualidade do indivíduo. Nesse sentido, não obstante, os efeitos que os exemplares impostos como ideias acarretam na nação brasileira hodierna, devem ser analisados, já que ocasionam danos físicos e psicológicos aos adeptos, além de acarretarem no restante da população o sentimento de inferioridade.
Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, o Brasil é o segundo país com o maior índice de procedimentos. Á vista de tal preceito, as mulheres ainda são as maiores consumidoras desse mercado, as quais correspondem a 87,2%, de acordo com o estudo. No entanto, essa procura incessante leva muitas pessoas a arriscarem sua saúde, um exemplo disso é o famoso caso da modelo e apresentadora Andressa Uach. A brasileira, quase perdeu a vida devido a aplicação de grande quantidade de hidrogel, substância que foi utilizada para dar volume nas pernas.
Outrossim, conforme Carlos Drummond de Andrade, ninguém é igual a ninguém, todo ser é ímpar. Entretanto, não é essa concepção que os veículos midiáticos promovem, haja vista que instituem cada vez mais fotos de mulheres magras e homens musculosos. Dessa forma, criam uma sociedade que satiriza e exclui o diferente, onde os indivíduos que não apresentam esses padrões tornam-se motivos de bullying, e por conseguinte desenvolvem transtornos psíquicos ,como a depressão.
Em virtude dos fatos mencionados, fica explícito a necessidade de avanços nas discussões sobre o corpo idealizado como perfeito. Portanto, torna-se imperativo que o Conselho Nacional de Atorregulamentação Publicitária (CONAR), regule propagandas que promovam à adoção de padrões com maior rigidez, como forma de promover a diversidade de aparências. Ademais, o Estado na figura do Ministério da Educação,em parceria com as escolas de rede pública e privada, deverá realizar palestras educativas que abordem o tema, com o intuito de ajudar a formar cidadãos que possuam a visão de que beleza é algo relativo e todos possuem a sua de formas diferentes. Além disso, é imprescindível divulgarem também a importância de colocar a saúde em primeiro lugar. Assim, será possível mitigar o culto exacerbado pela perfeição e vencer antigos paradigmas.