O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 08/09/2017
Na Grécia Antiga, o corpo belo era aquele que mostrava harmonia e proporção entre as partes. Nesse período, homens e mulheres tinham que atender os padrões estéticos para progredir na vida, dentre eles o físico atlético. Apesar dos avanços históricos, o culto ao corpo perfeito ainda é uma realidade no Brasil contemporâneo e no mundo. Nesse contexto, deve-se analisar como a mídia e o consumismo causam tal problema e como combatê-lo.
A mídia é a principal responsável por padronizar o corpo ideal no país. Isso porque, ao veicular a imagem de pessoas perfeitas nos mais diversos programas, impõe nos espectadores, principalmente em mulheres, a falsa necessidade de alcançar um corpo magro, esbelto e com dentes perfeitamente alinhados, como as modelos. Por conseguinte, para atender o padrão imposto, essas pessoas recorrem a atos extremos, como procedimentos cirúrgicos estéticos, muitas vezes ilegais e perigosos, e até mesmo adquirem distúrbios alimentares.
Além disso, nota-se, ainda, que o consumismo também contribui na ditadura da beleza. Segundo os filósofos Adorno e Horkheimer, o sistema capitalista, através da indústria cultural, implanta a necessidade de consumo nas pessoas. Dessa forma, com o avanço tecnológico do sistema de informação, muitas empresas farmacêuticas e de cosméticos, induzem, principalmente nos jovens, a necessidade de comprar pílulas que inibem o apetite e cremes redutores de gordura. Como consequência disso, muitos adolescentes, para atingir o corpo estereotipado, colocam suas vidas em risco tomando medicamentos indiscriminadamente.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para solucionar o impasse. Em razão disso, ONGs devem pressionar a mídia, para que ela adote campanhas e dissemine a pluralidade estética, como em novelas e filmes. Ademais, o Ministério da Educação deve instituir nas escolas, palestras ministradas por educadores e nutricionistas, com o fito de discutir o conceito de estética e orientar, pais e alunos, acerca da relevância da aceitação pessoal. Por fim, os gestores municipais e estaduais devem investigar e punir, centros que realizam procedimentos estéticos clandestinos. Dessa forma, será possível atenuar a busca exacerbada pela perfeição corporal.