O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/09/2017

Na Antiguidade, especificamente na pólis Esparta, analisava-se o recém-nascido em busca de anomalias física. Assim, caso tivesse, seria assassinado. Não obstante, tirando a parte do sacrifício, hodiernamente, no Brasil, a busca por padrões corporais é amplamente discutida, uma vez que a procura pelo corpo perfeito cresce exponencialmente ano após ano. Dentre os motivos para tanto está, especialmente, a influência da mídia, a qual, sobretudo, causa disforias psicofísicas.

A princípio, as propagandas servem para atrair o consumidor, compelindo-o a comprar o produto anunciado, porém, no caso do ramo estético, cria-se a demanda para depois vendê-la. Nesse contexto, torna-se nítido tal problema a partir da análise da estatística da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, a qual coloca o Brasil em segundo lugar no que diz respeito ao número de cirurgias plásticas em 2015. Ou seja, por meio dos padrões inalcançáveis da mídia, o brasileiro é induzido às modificações físicas, ainda que sejam procedimentos dispensáveis, como o preenchimento facial.

Concomitantemente à ação nociva da mídia, o brasileiro fica cada vez mais dependente dessas alterações físicas, tornando-se, portanto, doente. Destarte, de uma simples alteração corporal, como a utilização da toxina botulínica, o paciente recorre às mais invasivas, por exemplo a rinoplastia - cirurgia plástica no nariz -, e, aos poucos, ele vai adquirindo as disforias físicas, não se satisfazendo, desse modo, com o próprio corpo. Finalmente, totalmente infeliz com seu corpo, o paciente entra em quadros psicológicos, como o Transtorno Disfórmico Corporal, preocupando-se, então, com defeitos imaginários.

Fazem-se, à vista do exposto, necessárias medidas para evitar que os brasileiros se tornem escravos do seu próprio corpo. Para tanto, o Ministério Público deve criar auditorias públicas que denunciarão propagandas abusivas, em especial as enganosas. Outrossim, ele deve punir as empresas que praticarem tal atitude. Contudo, em contrapartida, deve gratificar - por meio de isenções fiscais - as marcas que se preocupam com a saúde mental de seus consumidores. Ademais, o Governo Federal deve sancionar leis sobre a obrigatoriedade de psicólogos nas decisões de cirurgias plásticas, auxiliando o paciente a ter certeza de suas escolhas. Também, o Ministério da Saúde deve criar campanhas, a serem transmitidas em escolas públicas, mostrando os perigos desses transtornos psicológicos e como evitá-los.