O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/09/2017
Na Grécia antiga, diversas eram as formas de representação de poder e status social, entre elas o formato físico do corpo, no qual quanto mais volumoso significava maior riqueza, uma vez que os indivíduos magros eram os que exerciam atividades árduas. Embora, com o passar dos anos a situação tenha se modificado, no Brasil ainda existe uma grande busca pelo padrão corporal, o que tem contribuído negativamente para o surgimento de diversos impasses. Nesse contexto, é fundamental discutirmos, não só as causas, bem como os efeitos da problemática em questão.
Em primeiro lugar, o processo de massificação é o principal responsável pela busca incessante de ideais estabelecidos. Isso significa que em detrimento do mercado, padrões a serem seguidos são lançados por meio de propagandas e recursos publicitários atingindo assim, a população. Tal ciclo se repete por diversas vezes, e consequentemente, diante de tantas influências os cidadãos buscam a todo custo encaixar-se nos moldes, para não serem excluídas das tendências contemporâneas. Segundo o sociólogo Adorno, esse comportamento se deve ao fato de a indústria cultural - termo que designa a apropriação de aspectos culturais pelo mercado - tornar o ser alienado à condutas e medidas impostas pelo capitalismo, principalmente relativo à sua aparência física.
Além disso, diversos fatores prejudiciais são solidificados diante a ideia de padronização do corpo. A começar pela obtenção de traumas, e doenças, tal como a anorexia, em que o indivíduo apresenta graves crises de medo de adquirir massa, perdendo, até mesmo, a vontade de se alimentar. Ademais, casos de depressão entre os que possuem peso acima da média, cresceram cerca de 25% desde a ultima década, segundo dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde. Tal problema, tem se intensificado, haja vista que quando a pessoa não consegue acompanhar os modelos veiculados, acaba por apresentar desinteresses, tal como o de viver a própria vida.
Fica clara, portanto, a necessidade de reverter a ideia de corpo perfeito no país. Para isso, é preciso que a Mídia cumpra com o seu papel de alerta, e promova campanhas que incentivem a aceitação das diferenças, e a erradicação de padrões alienados, nos diversos meios de comunicação, para que atinjam o maior número de seres possíveis. Em consonância, o Ministério da Saúde, deve criar palestras educativas, envolvendo orientação em casos de doenças gerados por traumas devido aparência do indivíduo, alertando a importância de uma mente saudável, e os cuidados com o desejo compulsório de emagrecimento, essas podem ser realizadas em locais públicos e instituições de ensino. Quem sabe assim, o Brasil possa ser exemplo de diversidade, marcado pela aceitação pessoal e harmonia da sociedade.