O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 09/09/2017

A procura frequente pelo corpo perfeito é uma ideia antiga, surgiu na Idade Clássica, os gregos buscavam de forma incessante pelo físico ideal. Com o passar dos séculos, surgiu à globalização e com ela veio numerosas mudanças para o estilo de vida das pessoas, dentre elas a formação e a consolidação da idealização de padrões estéticos. A solidificação da ideia do corpo perfeito pode trazer inúmeros malefícios à sociedade, fazendo se necessário um debate sobre o tema.

Segundo o filósofo Karl Marx, as classes dominantes impõem seus pensamentos para os grupos menos favorecidos, hodiernamente, essa imposição se faz presente através da influência que a mídia tem na vida das pessoas, impondo um rígido padrão de beleza e aceitação social. A ideia do corpo perfeito, construído pela elite, funciona como uma ferramenta de discriminação social e pode gerar riscos à saúde, que vão de depressões até mesmo a suicídio de pessoas que não se sentem dentro do estereótipo de beleza, o que justifica, portanto, a necessidade de repensar os limites da vaidade dentro de uma sociedade narcisista.

A dominação feita pela mídia para se possuir a aparência ideal vai além de propagandas que oferecem um modo rápido e fácil para atingir o “corpo perfeito”, está presente também na esfera profissional, é rígida a cobrança com físico dos funcionários, além de ser critério para contratações de novos. Essa demanda faz com muitas pessoas, principalmente jovens, recorram para as intervenções cirúrgicas, fato que faz com que em 2015 o Brasil esteja em segundo lugar no ranking mundial de realizações de cirurgias plásticas, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (Isaps). Esse dado deixa claro, que as pessoas, em especial os brasileiros, possuem uma grande fixação com a sua beleza e acabam por esquecer que esses procedimentos também possuem contra indicações, como riscos de infecções que pode levar inclusive a morte.

Portanto, algumas providências deveriam ser tomadas para modificar esse quadro de obsessão pelo físico. No caso do Brasil, o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária – o CONAR – deveria estabelecer limites para as propagandas que incentivam de forma rígida à magreza e a musculação, impulsionando publicidade que tenha como objetivo a saúde e não o padrão corporal. Além disso, as escolas públicas e particulares brasileiras deveriam fazer se necessárias à realização de palestras educativas que deixassem claro o perigo do custe o que custar para se ter o corpo perfeito. Fazendo com que as futuras gerações liguem mais para saúde e menos para a fixação estética, dessa maneira, talvez no futuro os brasileiros aumentem a sua qualidade de vida de forma segura, sem ligar tanto para a modinha da padronização corpórea.