O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 04/09/2017
O fenômeno da globalização e o desenvolvimento tecnológico têm transformado a maneira de vida e a forma de relacionamento entre as pessoas. Nesse sentido, o modo de produção capitalista tem difundido um padrão que valoriza, sobremaneira, aspectos relacionados ao corpo. Na sociedade brasileira questões que se relacionam à moda aparecem desde o primeiro contato do europeu e o habitante nativo e se perpetuam com o encurtamento de espaço promovido pela tecnologia informacional. No entanto, questões de saúde dos indivíduos que têm utilizado práticas diversas para valorização corporal estão ausentes do discurso mercadológico.
Numa retrospectiva histórica, a descrição da carta de Pero Vaz de Caminha acerca do nativo brasileiro, evidencia um deslumbramento deste homem perante aos adornos utilizados pelos portugueses. Este fato aponta para um comportamento intrínseco do ser humano quando se analisa a utilização de meios que valorizem o corpo. Uma linha do tempo em que se analisa a formação do povo brasileiro demonstra aspectos culturais que ressaltam o culto à perfeição muito atrelada à padronização do mundo do capital que favorece a usurpação de desejos e sentidos tão próprios dos seres humanos.
Na concepção mercadológica muitas estratégias são adotadas para se difundir a necessidade de cuidado exacerbado com o corpo e a moda tem sido utilizada para persuadir as pessoas quanto à busca de formas cada vez mais padronizadas. Uma delas é a peça publicitária que veicula indivíduos esteticamente perfeitos para vender a ideia de produtos miraculosos, mas sem mostrar as questões psicológicas decorrentes da frustração quando o objetivo não é alcançado. As mulheres brasileiras têm sido evidenciadas em pesquisas sobre a pressão da beleza ideal, que arremete à lapidação da forma do poeta parnasiano, ultrapassando a média verificada no mundo, conforme se visualiza nos dados da pesquisa “Há uma beleza nada convencional” encomendada por uma empresa de cosméticos.
A partir dos apontamentos torna-se necessário analisar o tema à luz de questões mais relacionadas à saúde do que da estética corporal. Com isso vê-se a importância de que a sociedade discuta a temática possibilitando análises mais profundas e, para isso, a organização através de encontros e seminários com a participação de sindicatos, conselhos profissionais e movimentos populares contribuirá para o debate. Outra frente é a mobilização do legislativo quanto à criação de leis que sejam mais rígidas para fiscalização mais efetiva de venda e publicidade de produtos que envolvam o corpo. O poder executivo também pode intensificar ações de vigilância sanitária atrelado ao aprimoramento de políticas que cuidem dos indivíduos de maneira holística, desde aspectos físicos até psicológicos, o que promoverá o protagonismo do corpo além da beleza externa.