O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 21/09/2017

Culto à magreza ou ao físico forte nem sempre foi padrão de beleza. No Renascimento, mulheres eram retratadas com cabelos longos, formas voluptuosas e até uma barriguinha pronunciada. Hoje, a mídia e a própria sociedade ditam padrões bem diferentes dos naturais naquela época. Entre academias e cirurgias plásticas, discutir a padronização corporal é indispensável para avaliar seus efeitos na atualidade.

O estigma do corpo perfeito é imposto todos os dias. Seja em capas de revistas ou em tutoriais na internet, homens e mulheres com corpos torneados estampam o ideal de perfeição. O problema é que, no mundo real, esse padrão é quase impossível de ser atingido, resultando em uma sociedade frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto.

Quando a busca pela saúde é ultrapassada e vira obsessão pelo corpo perfeito, algumas pessoas desenvolvem transtornos alimentares, dentre os quais podemos citar a anorexia (indivíduo enxerga seu corpo de maneira distorcida), a bulimia (caracterizado por períodos de compulsão alimentar seguidos por comportamentos não saudáveis para perda de peso rápido como induzir vômito, uso de laxantes, abuso de cafeína e/ou dietas inadequadas) e a vigorexia (distorção da imagem que leva seu portador a buscar cada vez mais intensamente a definição muscular).

É preciso, portanto, que se reflita sobre essa representação corporal que nos é imposta a cada dia. O primeiro passo deve ser dado pelo próprio indivíduo, sendo mais flexível consigo mesmo e libertando-se dessa visão limitada de beleza. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, promovendo a diversidade de aparências. O Ministério da Educação, aliado as escolas da rede pública e privada, deverá realizar palestras educativas, ministradas por professores e educadores, que abordem o tema. Posto isso, será possível mitigar a busca desmedida e exacerbada pela perfeição corporal.