O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/09/2017

Já há algum tempo, verifica-se no Brasil um ideal de beleza praticamente inatingível para a maioria da população. Mais preocupante, sobretudo, é o contínuo aumento de pessoas aderindo a esse modelo estético que, via de regra, causa insatisfação pessoal por ser inacessível, quando não leva a problemas de ordem emocional e somática.

Tratando mais especificamente dos casos extremos, o indivíduo passa a enxergar-se de uma maneira distorcida: ou tem a percepção de que está com sobrepeso, ou tem a ideia de que precisa ganhar massa muscular. No primeiro caso, essa pessoa pode desenvolver anorexia ou bulimia, onde a visão distorcida de si vem conjugada com uma rígida dieta alimentar ou com a ingestão de alimentos seguida de vômitos forçados. Esses distúrbios alimentares levam à perda de peso e ao comprometimento de diversas funções fisiológicas. Na outra situação, a crença de ser alguém fraco, vulnerável, faz com que o indivíduo desenvolva uma musculatura exagerada por meio de uma rotina intensa de exercícios e pelo consumo de anabolizantes.

Desconstruir essa ideia de beleza tão presente atualmente no cotidiano é a principal forma de atuar contra esses distúrbios psiquiátricos; assim como o cigarro, antes visto como um hábito de pessoas de sucesso, foi banido da mídia, devemos prestar atenção na vinculação dos corpos perfeitos ao ideal de felicidade.

Contudo, cabe a pergunta: a quem interessa propagar esse modelo de beleza? Certamente, a indústria de cosméticos e de alimentos “diet” têm lucrado cada vez mais com a busca pelo corpo perfeito, sem falar de todo um nicho comercial relacionado a esse novo estilo de vida dito saudável.

Portanto, ao combatermos esse paradigma de beleza estaremos lidando com fortes interesses econômicos que querem a manutenção dessa idealização. Em suma, essa padronização corporal serve apenas ao interesse financeiro de grandes corporações.