O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 01/09/2017

Segundo pesquisa realizada pela Edelman Intelligence, em 2016, 83% das mulheres brasileiras se sentem pressionadas a atingir o modelo de beleza cultuado pela sociedade, trata-se de um dado alarmante, uma vez que tal pressão pode ocasionar problemas graves para a saúde física e emocional tanto das mulheres quanto dos homens. Assim, se faz importante debater acerca dos riscos envolvidos no culto à padronização corporal no Brasil.

Na rotina de sacrifícios para se alcançar o corpo “perfeito” existe um perigo constante: os transtornos alimentares, sendo a anorexia, a bulimia e a vigorexia os tipos mais comuns, nos quais a imagem corporal do sujeito fica distorcida (o que o espelho reflete não corresponde mais ao que a pessoa percebe). Chegando-se a esse ponto, conforme informou a psicóloga Marina Oliveira, em entrevista para ao jornal Estadão, caso não se busque ajuda especializada, os prejuízos à saúde podem ser graves (osteoporose, redução do batimento cardíaco, baixa pressão arterial, anemia, desnutrição) e em algumas situações chegam a resultar em morte.

Ademais, a falta de aceitação do biotipo pessoal, as privações e cobranças excessivas, mesmo que não desencadeiem os transtornos mencionados, podem afetar o bem-estar emocional de diferentes formas, como: falta de ânimo para sair de casa, estresse, irritabilidade, e depressão. Sem orientação adequada, o sonho pode se tornar um torturante pesadelo.

Nota-se, portanto, que o comportamento de cultuar e perseguir um determinado padrão corporal é potencialmente muito danoso, de modo que seria importante, por determinação do Ministério da Saúde, que as equipes dedicadas ao serviço de atenção primária à saúde (voltados para a prevenção e intervenção precoce) como o PSF (Programa Saúde da Família) e ACS (Agente Comunitário de Saúde) passem a ser compostas também por nutricionistas e psicólogos, tendo em vista que a ação preventiva é mais fácil de ser aplicada, menos cara e mais eficaz.