O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/08/2017
A vaidade é algo inerente ao ser humano, e temos que saber conviver com ela sem nos deixar ser consumidos pela mesma. Porém, não é esse tipo de equilíbrio que vemos ao analisar a sociedade brasileira, onde na verdade, o peso dessa balança tende mais ao lado do narcisismo. É preciso entender primeiro o que nos faz tão vaidosos para que assim possamos debater medidas que impeçam que o culto à padronização corporal no Brasil não nos cegue rumo ao mesmo lago em que se afogou Narciso.
O Brasil é um dos líderes no ranking de países onde mais ocorrem cirurgias plásticas no mundo. Isso se deve ao fato de que a beleza vai muito além de uma questão meramente estética: ela também pode significar inclusão social e até mesmo sucesso profissional. Sendo um país marcado pela desigualdade, a aparência se torna mais uma questão de status, de distinção.
A ideia predominante de cuidar do corpo e da aparência, de se manter jovem, saudável e sensual a qualquer custo, é fundamentada de diversas formas, e sentida principalmente pelas mulheres. Aquela que não aparentar bonita ou sexy o suficiente corre o risco de perder uma vaga de emprego, e caso o consiga, sofre pressões para manter a “boa aparência”. Com isso, as pessoas se submetem a diversos métodos perigosos para alcançar o padrão imposto, como dietas não saudáveis que levam a transtornos alimentares, ou o uso indevido de anabolizantes, que causa graves deformações corporais.
Portanto, faz-se necessário a colaboração de vários setores da sociedade para controlar esse tipo de situação. O poder Legislativo deve criar leis que penalizem qualquer discriminação e assédios do tipo em empresas e qualquer outro ambiente de trabalho, e os grandes meios de comunicação podem colaborar para a desconstrução desse ideal estético entre a sociedade, trazendo programas que debatam a questão da beleza de forma mais abrangente.