O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/09/2021

No filme “O Mínimo para Viver”, narra-se o drama de uma jovem que sofre com transtorno alimentar que foi internada em uma clínica de reabilitação, e mesmo em processo de recuperação, ela e outros adolescentes não deixam de lado suas buscas pelo corpo “perfeito”. Ainda que fora da ficção, a busca pelo corpo padrão é um processo incessante e sem escrúpulos no Brasil. Nesse contexto, não há dúvidas de que o culto à padronização corporal é um desafio, o qual ocorre devido, não só à mídia, mas também ao sistema capitalista que visa sempre o lucro.

Primordialmente, é válido mencionar o poder da influência midiática na vida do cidadão. Nesse sentido, durante décadas em programas e revistas foram exibidos somente corpos “perfeitos” que não condizem com a realidade de parte significativa da população. Consequentemente, tal feito resulta na busca incessante pelo corpo “de revista”, que frequentemente é resultado de inúmeros procedimentos estéticos. Atualmente, esse processo ocorre de forma ainda mais intensa com o uso de redes sociais, onde influenciadores digitais banalizam erroneamente tais procedimentos. Segundo o filósofo Rousseau o homem nasce livre, mas sempre se encontra acorrentado em qualquer parte, nesse contexto, a sociedade sempre encontra-se acorrentada, independente da época histórica, aos padrões de beleza.

Ademais, cabe analisar a “indústria da beleza” que é composta por empresas voltadas a procedimentos estéticos, produtos “milagrosos” para emagrecimento e cosméticos, todos esses componentes geram muito lucro. Segundo dados da empresa “Euromonitor” o mercado de beleza brasileiro em 2019 teve um lucro de em média 29,62 bilhões de dólares, ou seja, a insatisfação social com o próprio corpo e a propagação de padrões inatingíveis geram altos lucos para economia. Logo, faz-se necessário o combate imediato a tais padrões, visto que a tendência é que eles tornem-se cada vez mais incisivos, mesmo que causem resultados danosos a sociedade.

Fica claro, portanto que é imprescindível o combate à propagação de padrões corporais inatingíveis. Para que isso ocorra, cabe a mídia - que é responsável pela disseminação significativa de conscientização para parcela significativa da sociedade - por meio de propagandas mais inclusivas e representativas, promover informação sobre os danos que procedimentos estéticos podem causar e incentivar o amor-próprio. Tal medida tem o intuito de amenizar a busca pelo padrão corporal inatingível, o que aumentará a qualidade de vida da sociedade. Desse modo, tornando a convivência do indivíduo dele com ele mesmo mais amistosa, e evitando que ele busque procedimentos que podem ser danosos à sua saúde mental e física.