O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 23/08/2021

No filme “O Mínimo Para Viver”, lançado em 2017, é retratada a história de uma jovem que sofre com a anorexia. Na narrativa, é perceptível que essa jovem tenta a qualquer custo conquistar o corpo que ela julga ideal, trazendo graves danos à sua saúde. Assim, pode-se relacionar a realidade do filme com àquela do Brasil atual: o culto à padronização corporal que ainda persiste devido às suas raízes históricas e ao endossamento dessa padronização através dos meios de comunicação.

Em uma primeira análise, é necessário destacar que principalmente as mulheres sofrem com a padronização dos corpos. Durante a história da humanidade, é possível perceber que já existiram diversos artefatos para mudar e moldar o real contorno do corpo feminino, como cintas, espartilhos e corpetes. Todos eles contribuíram para que o corpo que fosse considerado belo fosse também irreal e impossível. Logo, é nítido que a padronização corporal é uma problemática que está arraigada na sociedade e que assombra diversas gerações de mulheres.

Além disso, os meios de comunicação apenas sustentaram essa realidade. Em propagandas e capas de revista, são estampados homens e mulheres com o tipo ideal de corpo. Existindo tantas diferentes formas de corpos humanos, é injusto considerar apenas um como belo e representável. Assim, aqueles que não são representados podem tentar a qualquer custo ter um corpo considerado bonito, submetendo-se a cirurgias e dietas perigosas à saúde.

Dessa forma, é mister que o Estado tome medidas para amenizar o quadro atual. Para que o culto à padronização corporal deixe de existir, urge que o governo promova, por meio de investimentos, palestras em escolas, a fim de que as crianças aprendam desde pequenas a não acreditar no mito do corpo perfeito. Ademais, essas palestras devem ser abertas a comunidade, para que os adultos também sejam impactados. Somente assim, será possível que ninguém mais sofra da terrível realidade apresentada no filme “O Mínimo Para Viver”.