O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 10/08/2021

“No meio do caminho tinha uma pedra”. A frase retirada do poema de Carlos Drummond se refere a um determinado problema enfrentado pelo indivíduo. Nota-se que, na interpretação desse trecho, o culto à padronização corporal pode ser associado à essa pedra, causado, muitas vezes, pela banalização das cirurgias estéticas, e sendo responsável por transtornos psicológicos. Sendo assim, há necessidade de soluções.

Primeiramente, o culto à padronização corporal é originado pela banalização e normalização das cirurgias estéticas. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil é o país com maior número de cirurgias plásticas no mundo. Analogamente, na música Pretty Hurts da Byoncé, são retratadas as consequências dos altos padrões de beleza da sociedade e os procedimentos estéticos que a modelo, protagonista do clipe, teria que se submeter para alcançar o corpo perfeito.

Ademais, de acordo com o filósofo Noberto Bobbio, a dignidade humana é uma característica intrínseca ao homem, capaz de dar-lhe o direito ao respeito por  parte do Estado. Dessa maneira, o culto à padronização corporal fere a dignidade humana, uma vez que o indivíduo que busca pelo corpo idealizado pela sociedade pode sofrer transtornos alimentares, tal como a anorexia, doença que ocasiona a obsessão pelo peso ideal, pelo alimentos e suas calorias.

Portanto, é necessário que haja mudança nesse cenário. Logo, o Ministério da Saúde deve promover a “Semana do Corpo Real”. Nesse sentido, o evento incentivaria o amor próprio, apresentaria corpos sem procedimentos estéticos e palestras acerca dos transtornos alimentares. Nesse sentido, a semana seria de fácil acesso, por meio de canais de televisão aberta, como a rede Globo, para que ocorra a conscientização de toda a população e diminua a obsessão pelo corpo ideal. Por conseguinte, a padronização corporal não será mais uma “pedra”.