O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 04/08/2021
“Você não se cansa de posar para fotos com este corpo de plástico?”, questiona a cantora norte-americana Billie Eilish, em sua canção “Overheated”. Nesse prisma, a intérprete discute as pressões desenvolvidas em detrimento do culto à padronização estética na sociedade contemporânea, perpetuadas pelos meios de comunicação em massa que corroboram cada vez mais para problemas sociais e psicológicos, de modo a afetar também a evolução humanística brasileira.
A princípio, faz-se importante ressaltar que os padrões de beleza são valores fortificados em diversas populações há séculos. No Brasil, durante o período Romancista, os escritores já idealizavam a mulher como uma figura divina, donas de um caráter puro e delicado. Nessa perspectiva, pode-se dizer que o fato dos escritores romancistas utilizarem a feminilidade como uma inspiração é visto como uma forma de exaltação, sendo assim, suas características passam a ser consideradas um modelo a ser almejado. Na atualidade, os padrões corporais são constantemente consolidados por meio da televisão, redes sociais, novelas, revistas ou qualquer meio comunicativo contemporâneo, que também aproveitam da atenção social aos corpos para introduzir novas formas de consumo na modernidade.
Por conseguinte, os impactos negativos desse conceito estético padronizado se caracterizam por medidas alternativas a fim de alcançá-lo. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil é um dos países que mais produzem cirurgias plásticas no mundo, e também possui uma população feminina mais insegura quanto às aparências do corpo em comparação ao resto do globo. Nesse aspecto, pode-se dizer que as pressões ao redor desta temática também se tornam psicológicas, uma vez que a insegurança das mulheres pode corroborar para problemas de baixa-autoestima e, muitas vezes, isolamento social, por não possuírem corpos que se encaixem nos sistemas impostos pela sociedade. Além disso, o fato de que o corpo perfeito é uma tendência que muda com o tempo, por ser uma idealização, faz com que geralmente, muitos dos procedimentos estéticos realizados por brasileiros se tornem insuficientes, e contribua intrinsecamente para distúrbios alimentares, como a anorexia.
Tendo em vista os fatos supracitados, faz-se necessário medidas que venham amenizar os impactos negativos do culto à padronização estética no Brasil. Urge, portanto, que o Estado juntamente com as massas de mídia, promovam campanhas publicitárias por meio de verbas governamentais, que instigue a inclusão e representação de corpos diferentes, a fim de desmistificar a ideia de um padrão estético unicamente aceitável. Com essa medida, talvez, a sociedade possa estar mais distante dos corpos de plásticos denunciados por Eilish.