O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 13/11/2020

Dentre as maiores invenções do século XX, os Meios de Comunicação de Massa ganham grande destaque devido à democratização da informação. No entanto, ao mesmo tempo que tais tecnologias trouxeram benefícios à sociedade, também possibilitaram a propagação de padrões estéticos que deixam a população refém do ideal de corpo perfeito. Torna-se necessário, portanto, entender as causas desse problema e analisar seus efeitos para solucioná-lo.

Em primeiro lugar, é importante analisar alguns padrões corporais ao longo da história. Na Idade Moderna, por exemplo, as pessoas, principalmente as mulheres, eram valorizadas pelas curvas acentuadas, sendo essa a característica marcante da parcela mais abastada da sociedade. Não é difícil perceber, contudo, que esse conceito de beleza foi substituído pela ditadura da magreza quando alguém percebeu que poderia lucrar com isso. Prova disso são os inúmeros remédios vendidos para reduzir apetite, os diversos tipos de cirurgias plásticas e a própria moda, que tornam-se sonho de consumo da população.

Além disso, a padronização corporal pode trazer vários problemas psicológicos aos indivíduos inseridos nesse contexto. Isso porque há uma obsessiva luta para se encaixar no conceito de belo e, quando ele não é alcançado, surge a frustração. Após isso, problemas ainda mais sérios vêm à tona, como a depressão, anorexia e bulimia, prejudicando a socialização dessas pessoas que tendem a cada vez mais sofrer a pressão da aceitação. Acerca disso, torna-se cada vez mais difícil ter uma mente sã em um corpo são numa sociedade em que existe a “gordofobia” e as relações interpessoais baseiam-se em características superficiais, como já previa Zygmunt Bauman em “Modernidade Líquida”.

À vista disso, fica claro que esse problema é bastante amplo e deve ser tratado com atenção. Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, promovendo a diversidade de aparências. O Ministério da Educação, aliado as escolas da rede pública e privada, deverá realizar palestras educativas, ministradas por professores e educadores, que abordem o tema. Posto isso, será possível mitigar a busca desmedida e exacerbada pela perfeição corporal.