O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 11/11/2020
O poeta Vinicius de Moraes definiu a visão da sociedade no verso ‘‘as feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental.’’ A idade contemporânea trouxe mudanças para o país, entre elas, a idealização da beleza e fortalecimento de padrões estéticos. Sendo assim, é necessário debater sobre os malefícios que tal aspecto traz às pessoas.
Em síntese, vale destacar que a contemporaneidade é um período de grandes transformações causadas pelo desenvolvimento tecnológico. Como resultado da inovação, as pessoas começaram a ter contato com indivíduos do mundo inteiro por meio de aplicativos, como o Instagram. Com a finalidade de compartilhar fotos e vídeos, a rede social citada ganha grande destaque no assunto ‘‘padronização’’, onde tudo é perfeito, e meninas e mulheres se comparam tentando alcançar um padrão inalcançável. Segundo a médica psiquiatra Ana Paula Carvalho, ‘‘a comparação é algo inerente ao ser humano. O que traz uma série de problemas, pois procuram tratamentos estéticos buscando um modelo corporal que não existe.’’ Para a dermatologista Carla Vidal, os efeitos da busca incessante por um molde é cada vez mais evidente, a profissional cita que as pacientes querem estar perfeitas para o Instagram.
Ademais, de acordo com o filósofo Karl Marx, o pensamento prevalecente em uma sociedade é comumente imposto pela classe dominante. Assim, o corpo ‘‘ideal’’ é idealizado pela elite, mas não é de fácil acesso para as classes menos privilegiadas. Além disso, a mídia possui grande influência no quesito ‘‘imagem corporal’’, já que é comum observar propagandas que oferecem um modo de atingir o padrão. Os jovens são alvo principal, por estarem no processo de socialização e aceitação. No entanto, as imposições da sociedade oprimem os que não se encaixam no modelo e, consequentemente, há casos de ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, entre outros.
Por fim, é de suma importância que O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) diminua as propagandas que motivam a adoção de padrões estéticos, incentivando a diversidade de aparências. Ainda, o Ministério da Saúde poderá promover campanhas em parceria com os médicos, nutricionistas e psicólogos, para informar a população por meio de palestras, diminuindo os distúrbios alimentares e psicológicos.